Preparando o Natal


Deixe um comentário

O Natal em que fiquei rica

Ser pobre e satisfeito é ser rico. E bastante rico.
William Shakespeare

Havia uma árvore naquele Natal. Não tão grande e frondosa como outras, mas estava pejada de enfeites e tesouros e resplandecia de luzes. Havia presentes, também. Alegremente embrulhados em papel vermelho ou verde, com etiquetas coloridas e fitas. Mas não tantos presentes como de costume. Eu já tinha reparado que a minha pilha de presentes era muito pequena.

Nós não éramos pobres. Mas os tempos eram difíceis, os empregos escassos, o dinheiro à justa. A minha mãe e eu partilhávamos uma casa com a minha avó e com os meus tios. Naquele ano da Depressão, toda a gente espaçava refeições, levava sanduíches para o trabalho e ia a pé para poupar nos bilhetes de autocarro. Anos antes da Segunda Guerra Mundial, já vivíamos no dia-a-dia, como muitas outras famílias, o que então se iria ouvir como slogan: “Usa-o, aproveita-o ao máximo; faz com que funcione, ou passa sem ele.” Continuar a ler


Deixe um comentário

Uma cadelinha chamada “Natal”

O ano do meu décimo aniversário foi também o primeiro ano em que toda a nossa família tinha emprego.

O meu pai fora dispensado do seu emprego de sempre, mas encontrara trabalho de pintura e carpintaria um pouco por toda a cidade. A minha mãe costurava vestidos elegantes e fazia tartes para fora, e eu trabalhava depois das aulas e aos fins de semana para a Srª. Brenner, uma vizinha que fazia criação de cães da raça cocker spaniel. Continuar a ler


Deixe um comentário

A surpresa do Pai Natal

Foi com grande espanto que, num domingo de manhã, a Marta descobriu junto à lareira da sala um saco vermelho de feltro, em forma de bota. “Terá sido o Pai Natal?”, perguntou a si mesma. Mas, pelas suas contas, ainda faltavam mais de vinte dias para o Natal, o que é uma eternidade para quem espera ansiosamente por esse momento.
A Marta abriu o saco, mergulhou a mão lá dentro e a primeira coisa que agarrou foi um pequeno envelope. O remetente, claro está, era o Pai Natal. E a carta era dirigida a “todos os que querem viver mais felizes”. No fundo, podia ser para qualquer um. E dizia o seguinte: Continuar a ler


Deixe um comentário

Um segredo para a minha Mãe

Enquanto  espero pelas festas, penso em todos os Natais calorosos e maravilhosos quando  era criança, e dou-me conta de que um sorriso me ilumina a  face.  Na verdade, são tempos que vale a pena recordar! Contudo, reparo que, à medida  que fui ficando mais velha, as memórias do Natal tornaram-se menos vívidas e  foram-se transformando numa época triste e deprimente… até ao ano passado. Foi  nessa data que creio ter recuperado a alegria própria da infância. A alegria que  eu sentia quando era criança…

♥♥♥

Todos  os anos me canso à procura de algo para oferecer à minha mãe no Natal. Mais um  roupão e uns chinelos, um perfume, umas camisolas? Tudo prendas interessantes,  mas Continuar a ler


Deixe um comentário

Rudolfo e Brita

Sem TítuloAinda ele vinha a subir as escadas e Joana já o ouvia cantar: “Era uma vez uma rena…” Joana soltou um gemido e gritou pela mãe, atarefada na cozinha:

— O Rudolfo já lá vem!

Jacob era o nome verdadeiro de Rudolfo e era o irmão mais novo de Joana. Andava na primeira classe e fora lá que lhe ensinaram aquela canção idiota e esquisita. Por acaso, a culpa era da Olívia, que no ano passado lhe tinha oferecido a rena Rudolfo em peluche.

“…chamara-lhe Rudolfo…” Jacob abriu a porta e não parava de cantar, enquanto tirava a roupa. “… com o nariz vermelho…” Joana levou as mãos aos ouvidos. Era de ficar maluca!

— Mãããe! — gritou em socorro. Mas a mãe limitou-se a aparecer à porta da cozinha, rindo enquanto limpava as mãos.

Jacob não largava Rudolfo, embora Joana já lhe tivesse explicado cem vezes que aquele boneco era só para o Natal. Pelo volume da canção, reparou que o irmão se dirigia ao quarto dela.

Quando a porta se abriu, uma almofada voou direita à cabeça de Jacob acompanhada de uma ordem:

— Cala a boca!

— Estás maluca? — Jacob deu um pontapé à almofada. — Sempre é melhor do que a tua Brita Suspiro! — respondeu-lhe furiosamente.

— Chama-se Britney Spears!! Continuar a ler


Deixe um comentário

A boneca

Sem Título

— Não leves sempre essa boneca suja contigo para a cama — disse a mãe de Eva.

— A minha Anita não é nenhuma boneca suja. — respondeu Eva — A minha Anita é muito querida.

— Mas está muito feia — continuou a mãe. — Olha só para a cara e para os cabelos dela!

Quando se olha para a boneca Anita, assim, sem se gostar dela, tem de se admitir. Bonita, não é. As bochechas estão cinzentas e a esboroar-se de tantos beijos e tantas lavagens. Já não tem propriamente um nariz, apenas uma saliência suja, e dos cabelos castanhos já só ficou um pequeno tufo de cabelos ralos.

Isto não incomodava Eva, mas a mãe dizia-lhe constantemente:

— Não queres pedir uma boneca nova pelo Natal? — perguntava-lhe.

Eva apertava a Anita contra si e dizia:

— Não! Continuar a ler