Preparando o Natal


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Os tapetes para a procissão

Sem TítuloPrólogo

A semana antes da Páscoa chama-se Semana Santa. Em Antigua, uma cidade colonial construída pelo Espanhóis no final do século XVI, procissões de pessoas costumam deambular pelas ruas, transportando estátuas velhas de séculos, numa tentativa de fazer reviver a morte e a ressurreição de Cristo. Esta tradição é tão forte hoje quanto o era no tempo dos Espanhóis, embora tenha sido transformada pelo contacto com a cultura indígena da Guatemala.
Como penhor da sua fé, os habitantes fazem tapetes de serradura, flores e frutas coloridas, que são colocados no pavimento por onde passarão as procissões. Todos os anos são feitos tapetes com desenhos diferentes. E todos os anos as procissões os calcam, destruindo os seus padrões tão primorosamente desenhados!
Passei a infância na Guatemala. A minha família era chinesa e adepta da religião budista, mas a Semana Santa era diferente de todas as outras, mesmo para uma família tão tradicional como a nossa. Juntávamo-nos sempre nos passeios com os vizinhos para ver os tapetes, antes de os cortejos os pisarem. Enquanto assistia à procissão, sentia que a história de que falavam estava a acontecer naquele preciso momento. A beleza daqueles tapetes efémeros, feitos com tanto amor, ficou para sempre na minha memória e no meu coração.

A cor tradicional da Semana Santa é o roxo. Por isso é que a minha mãe vende tantos rolos de tecido dessa cor durante a época da Páscoa. Um dia, o carteiro trouxe um envelope com letras prateadas impressas.
— Um convite! — exclamou a minha mãe.
Como não sabia ler espanhol muito bem, deu-o a ler à minha irmã.
— Diz aqui que o tio Colocho e a tia Malía nos convidam para o baptizado do bebé, no Domingo de Páscoa.
Um pedaço de papel escrito em chinês caiu do envelope. A minha mãe leu-o, porque nós não conseguíamos ler chinês, embora oralmente percebêssemos tudo o que era dito em casa.
— Também nos convidam para passar lá a Semana Santa antes do baptismo. Claro que vamos! — exclamou a minha mãe, cheia de alegria. Continuar a ler


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Uma colcha com história

Sem TítuloQuando a minha bisavó Anna veio para a América, trazia o mesmo espesso casacão e as botas altas que usava no trabalho rural. Mas a família deixou de trabalhar a terra. Em Nova Iorque, o pai passou a carregar coisas para uma camioneta, e o resto da família fazia flores artificiais o dia todo.
Todos tinham pressa, e havia sempre tanta gente na cidade! Não se comparava com a Rússia. Mas agora, esta era a sua casa, e a maioria dos vizinhos era exatamente como eles.
Quando Anna foi para a escola, o inglês que ouvia assemelhava-se a pedras a caírem em águas pouco profundas. Shhh… Shhhhh… Shhh… Mas seis meses bastaram para falar a nova língua. Já os pais nunca chegariam a aprender. Por isso, era ela que falava por eles.
As únicas coisas que tinha guardado da Rússia eram o seu vestido e Continuar a ler


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Uma festa no Ramadão

Sem TítuloLeena rodopiava, em frente à mesa da cozinha, sem fôlego e toda excitada, enquanto a mãe tirava um convite para fora do grande envelope. “Mãe, a Júlia vai ter um pónei na festa, e nós vamos poder montá-lo!” Flocos de confettis esvoaçaram para fora do envelope até à mesa. “Nunca na vida montei um pónei.”
Leena parou de rodopiar quando viu a expressão da mãe alterar-se. “O que se passa, mãe?” perguntou.
“Leena,” disse a Srª Ahmad suavemente, “a festa da Júlia é na próxima sexta-feira, durante as férias da Páscoa. Este ano, calha ser a primeira sexta-feira do Ramadão.”
“Ramadão?” Leena olhou a mãe nos olhos. “Eu vou fazer jejum nesse dia,” disse ela. “Mas não posso perder a festa!”
A mãe ficou calada por um momento. Depois disse Continuar a ler


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Bagels de pimento-jalapenho

Sem Título“O que é que hei de levar para a escola na segunda-feira, para o Dia Internacional?” pergunto à minha mãe. “A professora disse para levarmos algo da nossa cultura.”
“Podes levar algo gostoso da panadería,” sugere ela. Panadería é como a minha mãe chama à nossa padaria. “Ajuda-nos a fazer a massa no domingo — e poderás levar aquilo que quiseres.”
“Combinado,” respondo. Gosto de ajudar na padaria. Lá dentro está quentinho e tudo cheira mesmo bem.
Bem cedo, na manhã de domingo, quando ainda é noite escura, a minha mãe acorda-me.
“Pablo, está na hora de ir para o trabalho,” diz ela. Continuar a ler