Preparando o Natal


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A árvore dos grous*

1Quando ainda não era suficientemente crescido para usar calças, a minha mãe tinha sempre medo de que eu me afogasse no lago que ficava à beira de casa. Estava constantemente a dizer-me que não fosse brincar para lá, mas eu não fazia caso, porque nele havia peixes de cores deslumbrantes.

A última vez que fui para o lago era um dia triste de Inverno, demasiado frio para os peixes se mostrarem. Nunca saíram debaixo das pedras e o que eu arranjei foi uma grande constipação. A minha mãe ia, de certeza ficar zangada comigo e adivinhar logo como é que eu tinha molhado as luvas. Mas talvez ficasse feliz por me ver.

— Mãe, já cheguei — gritei eu.

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Um simples cartão de Natal

 Parece totalmente filantrópico, mas, na realidade, o nosso pedido baseou-se tanto no altruísmo como na conservação da própria vida.

Paul Knowles

 Maxime e eu estamos casados há apenas cinco anos. Casar na nossa idade (já muito para lá dos 40 anos) é o oposto de o fazer no princípio da idade adulta. Nessa altura, a questão que se coloca é: «Será que nos vão oferecer as coisas de que necessitamos?» Agora, e em vez disso, é: Como é que nos vamos ver livres de metade das coisas que temos?» Estamos naquela fase feliz da vida em que não necessitamos de nada. Isto torna as coisas um pouco difíceis para os que querem dar-nos prendas.

Essa dificuldade estende-se aos nossos oito filhos, dois dos quais ainda não saíram de casa. Dos que saíram, todos têm casa e companhia (uma dessas combinações já produziu o nosso primeiro neto); alguns só agora começaram a aventura da independência. Para estes jovens, cujas idades vão dos 13 aos 27 anos, um dólar ganho é um dólar para ser investido na vida.

É assim que, a caminho do Natal de 2002, Max aparece com uma óptima ideia. Dissemos aos nossos filhos que tudo o que queríamos para o Natal era um cartão.

— Só um cartão? — respondiam, insatisfeitos.

— Não — continuámos. — Queremos um cartão em que nos digam Continuar a ler


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O absurdo da oferta de presentes sem qualquer significado

A quase obrigação de oferecer mecanicamente, pelo Natal, presentes aos amigos e familiares, em especial às crianças, tornou-se, pela sua dimensao e ausência de real valor afectivo, um enorme absurdo da nossa sociedade de consumo.
Esta situação decorre, em grande parte, dos interesses enconómicos da produção e do crescente impersonalismo das relações sociais, que levam a redimir pela compra as lacunas de outros valores humanos de relacionamento. Continuar a ler