Preparando o Natal


Os pequeninos vêm saudar Jesus


Os pequeninos vêm saudar Jesus.
Tarde, na noite repleta de estrelas.
Cómodo seria terem ficado a dormir:
                                                                                     um sono sem sonhos


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O Natal das Bonecas

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A rua tinha luzes de muitas cores que, encavalitadas nos postes, faziam desenhos de Natal. E dançavam ao som duma música cheia de sonoridades leves como algodão. De vez em quando passava um automóvel apressado. Apesar disto, ali da montra onde se encontravam, tudo era frio e distante. Eram duas bonecas que ninguém quis comprar.

— Este é o nosso primeiro Natal…

— E, decerto, o último. Se ninguém nos comprou, vamos ser retiradas da montra e arrumadas, ou entregues à caridade, ou destruídas. Continuar a ler


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O Soldadinho de Corda

Sem Título 

Eu estava completamente de acordo em facilitar a tarefa do Menino Jesus naquela quadra do Natal, e deixá-lo tratar das prendas. Também tinha prometido não ir bisbilhotar pelos cantos da casa à procura do sítio onde estivessem escondidas, e eu costumava cumprir as minhas promessas.

O Pedro, filho do leiteiro, era um rapaz alegre e atrevido, mais forte e mais corajoso do que eu, mas dávamo-nos bem, quase sem brigas nem discussões. Continuar a ler


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O meu semáforo único – Ant. Torrado

O semáforo à esquina da minha rua tem caprichos que são dele, só dele e de mais nenhum semáforo que eu conheça.

Posso garantir que é caso único, porque tenho convivido com imensos semáforos por todo o mundo e não sei de nenhum com os caprichos do meu, isto é, do semáforo da minha rua.

O que vou contar é segredo, mas eu sei que fica tudo entre nós. Continuar a ler


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Hino de Natal

 

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Hino de Natal

I

O infinito
num coração de criança.
A paz
na humildade da gruta.
A riqueza do mundo
no amor nascido.

II

Hora de reconciliação:
mãos que se estendem,
a linha do horizonte
a unir a diferença.
Ponte.

III

Árduos
os caminhos do mundo.
Cansaço.
Finalmente, a gruta.
No silêncio,
a Vida revelada.

IV

O berço improvisado.
Gestos que o Amor ditou.
Ténue candeia
a iluminar o futuro.
A grandeza das coisas simples.

V

O parto da alegria
na solidão dos campos.
Clarão
na noite inerte
dos homens.

VI

A Árvore da Vida
erguida
sobre o medo e o jugo.
A seiva da Infância.

VII

Os pastores aguardam.
O mistério
eleva os corações.
Comunhão.

VIII

A Natureza em festa.
Um menino é nascido.
No firmamento,
a Luz.

IX

Festa de Ano Novo.
Um sorriso de esperança
no tempo difícil.

X

Luzes de Natal
na cidade dos homens.
Tão longe
o silêncio.
Uma estrela percorre os céus.
Quem a seguirá?

Anónimo


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O absurdo da oferta de presentes sem qualquer significado

A quase obrigação de oferecer mecanicamente, pelo Natal, presentes aos amigos e familiares, em especial às crianças, tornou-se, pela sua dimensao e ausência de real valor afectivo, um enorme absurdo da nossa sociedade de consumo.
Esta situação decorre, em grande parte, dos interesses enconómicos da produção e do crescente impersonalismo das relações sociais, que levam a redimir pela compra as lacunas de outros valores humanos de relacionamento. Continuar a ler


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Um presente de Natal que jamais esquecerei

 

A vida de uma criança é como um pedaço de papel onde todos aqueles que passam deixam uma marca.

Provérbio chinês

Ele entrou na minha vida há vinte anos, encostado à ombreira da porta da sala 202, onde eu dava aulas ao quinto ano. Usava sapatos de borracha três vezes maiores do que os pés, calças aos quadrados rasgadas nos joelhos.

Daniel fez esta entrada banal na escola de uma aldeia bizarra, ao lado de um lago, conhecida pelo dinheiro antigo, pelas casas coloniais brancas e pelas caixas de correio de latão. Disse-nos que a última escola que frequentara ficava situada num condado vizinho. Continuar a ler


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O Primeiro Natal em Portugal – Luísa Ducla Soares

Sem TítuloÉ véspera de Natal. Mas não para Irina. Para ela só será Natal a 7 de Janeiro, quando as aulas tiverem recomeçado.
A mãe aproveita umas horas extra, na pastelaria, para preparar fornadas de bolos-reis.
O pai, antes de sair, marcou-lhe páginas e páginas de trabalhos de casa. É preciso, para poder acompanhar os colegas,
Folheando o dicionário, a pequena ucraniana procura as palavras portuguesas que há-de escrever em frente das que tão bem conhece. Continuar a ler


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O que nos lembra o Natal? – Rolf Krenzer

A professora pega no giz e, em letras grandes, escreve no centro do quadro: NATAL. Em seguida vai à secretária buscar a caixa com o giz de cores, abre-a e, com um olhar convidativo, coloca-a na primeira carteira da primeira fila. Depois senta-se e fica a olhar para as crianças na expectativa.

Os alunos mantêm-se muito silenciosos, mas pouco depois, Tina levanta-se, pega no giz vermelho e escreve no quadro Pai Natal. Muitos riem alto e a professora sorri, satisfeita. Agora, é Sabina que vai ao quadro e escreve com giz verde: árvore de Natal. As crianças precipitam-se e começa uma verdadeira luta pelo giz de cor. E no quadro vão aparecendo cada vez mais palavras: velas, doces, bolas, Menino Jesus, lista de prendas, neve, papel de embrulho, festa de Natal, prendas de Natal. Continuar a ler


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Bolo-Rei – Mª Rosa Colaço

Sem TítuloTodos os anos, quando os velhos Reis Magos acabam de atravessar a pequena estrada de areia que se esboça entre caminhos de musgo e lagos feitos de bocados de espelho partido; quando a estrela de prata que se suspende entre os dois exemplares de “A Paleta e o Mundo” de Mário Dionísio se recolhe para regressar à velha caixa de papelão, com trinta anos de viagens, cheia de bocados de jornal amachucados que ainda guardam notícias de dias que já foram e onde se embrulham os cordeirinhos, os pastores, as oferendas várias que o Menino Jesus recebeu, apesar de já lhe faltar a mãozinha direita que alguém partiu em excesso de limpeza; todos os anos, dizia, recordo a história que o Fernando Midões me contou, certa tarde em que misturámos poemas com lágrimas.

De calças à golfe, lacinho à Baptista Bastos, fato de ver a Deus e celebrar o Dia de Reis, Fernando foi com a mãe jantar a casa das senhoras, gente de talher de prata, criadas de avental branco e crista engomada, cheias de silêncios e reverências. Continuar a ler


Pensamentos I

Sem Título

Se não posso realizar

grandes coisas,

posso pelo menos fazer pequenas

coisas com grandeza

    ****      ****        ****        ****        ****

 

 

Sem Título

Uma sociedade

em que o desenvolvimento material

e o progresso do espírito

coexistam

 é uma sociedade que

pode vir a ser realmente feliz.

 

Sem Título

Se não pode impor a paz,

pode convencer pelo exemplo.

 

 Sem Título

Todos podem enganar-se, mas só alcançarão
a serenidade
aqueles que corrigem continuamente
os seus erros,
a fim de se aproximarem
da sua natureza espiritual.


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Natal no Hipermercado

Sem TítuloMuito gostava o Rodrigo de ir à caixa de correio. Quando o Natal se aproximava, estava sempre tão cheia que alguns papéis coloridos ficavam entalados na fresta estreita e comprida. O rapaz puxava-os, mesmo antes de dar a volta à chave, no entusiasmo de descobrir coisas maravilhosas, que apetecia mesmo comprar.
Subia no elevador com meia dúzia de envelopes brancos, sem graça nenhuma, e uma resma de publicidade.
A mãe abria as cartas e punha de lado, com um gesto aborrecido, todos os folhetos.
— Lixo! — irritava-se ela.
Rodrigo nunca recebia correspondência. Continuar a ler


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A filhó dourada – Ant. Torrado

 

A história que vou contar chama-se “A Filhó Dourada”.

Douradas, muito douradinhas são elas todas, empilhadas na travessa, como um castelo por conquistar.

As últimas são as melhores. Têm mais açúcar, desfazem-se mal lhes tocamos… A gente pega delicadamente numa das que sobraram, dá-lhe um impulso que a ponha a deslizar na travessa, para ensopar bem e, num gesto rápido, sem pingar a toalha, mete-a na boca. O estalar dela, de encontro aos nossos dentes, é música com açúcar.

Naquela ceia de Natal, todos tinham comido filhós. Continuar a ler


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O presente-surpresa do Rei Wod

 

O rei Wod era muito, muito rico.

Tinha tanto dinheiro que podia encher a meia de Natal de todas as crianças do país – incluindo a tua, se lá morasses – e ainda lhe sobraria muito dinheiro. Por que razão, então, odiava ele o Natal?

A razão era esta. O Rei Wod queria um presente-supresa na manhã de Natal.

Só isso?

Aha… não esqueçamos quão rico ele era. Todos os anos, acontecia a mesma coisa. Por muito maravilhoso que fosse o presente que recebia, nunca era novidade. Por exemplo:

Um cavalo com cascos multicoloridos para andar sobre o arco-íris.

Um livro de respostas a todas as perguntas dos professores. Continuar a ler


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Mais ou menos Natal

 

As ruas estavam decoradas com fios prateados e luzes coloridas.

As lojas ostentavam anjinhos, veados e duendes sorridentes. Havia Pais Natais em todo o lado.

Belinda também queria celebrar o Natal.

— Não sejas pateta — disse-lhe a mãe. — Nós não celebramos o Natal. Não é o nosso feriado.

Mas Belinda queria oferecer presentes. Queria fazer bolachas com formato de estrelas. Queria cantar canções de Natal. Queria ter uma árvore de Natal, coberta de bolas brilhantes e luzes tremeluzentes. E um anjo no topo.

— Toda a gente celebra o Natal — insistiu.

— Não, não celebra — retorquiu a mãe. — As pessoas têm feriados diferentes.

Belinda franziu o sobrolho.

— Pelo menos parece.

— Já pensaste no Tio Franck? — perguntou a mãe. — Ele não celebra o Natal. E a minha amiga Sandra e a família dela também não. Nem a tua amiga Emily. O médico que te tratou no Verão passado também não celebra o Natal. Continuar a ler


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A outra face do Natal

Sem TítuloCeia de Natal, Confraternização. Troca de presentes. Festa de Ano Novo. Brinde. Beijos e abraços. Repleto de ritos sociais, o encerramento do ano é uma época que reforça o sentimento de solidão em muitos de nós. Até mesmo quem gosta de viver só durante o ano inteiro está sujeito a ser invadido por um desconforto inesperado ao perceber que não sabe com quem partilhar o peru de dia 24 ou o champanhe de dia 31. O golpe de solidão que chega com a última página do calendário não é exclusivo de quem está, literalmente, sozinho durante as datas festivas. Há aqueles que, no meio de ruidosos encontros familiares ou empresariais, mal conseguem disfarçar o mal-estar e a sensação de inadequação.

O Natal é um período consensualmente considerado de alegria e esperanças optimistas. Por norma é assim mas, para muitas pessoas, pode ser uma época muito triste e fazer-se acompanhar por sentimentos de solidão, desamparo e desânimo. A alegria, imposta pela sociedade, torna-se desconfortável para quem não consegue pôr de lado a angústia, O desgaste provocado pelo esforço em contemplar tudo e agradar a todos faz disparar os níveis de ansiedade numa escalada ascendente assim que surgem as primeiras propagandas de Natal e Ano Novo.

A “tristeza do Natal” é comum durante o frenesim de Dezembro Continuar a ler


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A tua véspera de Natal – David Mourão-Ferreira

Impecável. Foi impecável a tua véspera de Natal. Não te poupaste a nenhum esforço, a nenhuma despesa. Trataste dos mínimos pormenores com a antecedência necessária. Pareceram realmente espontâneos os gestos que deviam ser, ou pelo menos parecer, realmente espontâneos. Houve alegria, houve calor e gratidão à tua volta. Houve também, é certo, uns súbitos abismos de silêncio, uns turvos remoinhos de silêncio. Mas não terás sido tu quem afinal os procurou? Continuar a ler


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Natal nas Asas do Arco-Íris – Alice Cardoso

Sem TítuloEra uma vez uma cidade cinzenta. As casas, as ruas, as árvores e o rio, eram cinzentos… Todo o céu que envolvia a cidade era cinzento…

As pessoas vestiam-se com roupas em tons de cinzento e os seus rostos eram tristes e carrancudos. Andavam sempre agitadas, demasiado ocupadas e sem tempo para conversar, rir ou passear.

Jerónimo vivia na cidade cinzenta e, tal como as outras crianças, sentia-se muito triste.

O Natal estava a chegar e sempre que ele pedia aos pais para o ajudarem a escrever a carta ao Pai Natal, a resposta era:

“Não tenho tempo. Há coisas mais importantes em que pensar.”

Jerónimo não compreendia… O que poderia ser mais importante do que o Natal? Continuar a ler


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O Quarto Rei Mago

Sem TítuloDeserto adentro viajam os magos… montados nos seus camelos através da escuridão da noite.

— Vejam, estamos a ser guiados por aquela estrela! — exclamou o primeiro.

— Guiados ao encontro de um rei — concordou o segundo.

— O Rei do Céu e da Terra — acrescentou o terceiro.

Havia um outro homem que viajava com eles.

— Quem me dera ser tão sábio como os meus companheiros — disse para si próprio. — Ter-me-ia inteirado melhor sobre a razão da nossa viagem antes de termos partido. Continuar a ler


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O Boneco de Neve – H. C. Andersen

— O gelo estala em mim às mil maravilhas. Que frio tão bom! — dizia o boneco de neve. — O vento sabe mesmo como beliscar vida numa pessoa! E aquilo brilhante, ali, como cintila! — Referia-se ao sol que estava quase a pôr-se. — Não há-de conseguir fazer-me pestanejar, posso muito bem aguentar-me nas telhinhas!

Eram dois grandes bocados de telha triangulares que tinha nos olhos. A boca era um pedaço de um velho ancinho; tinha, portanto, dentes.

Nascera com os gritos de júbilo dos rapazes, saudado pelo tinir dos guizos e o estalar dos chicotes dos trenós.

O sol desceu no horizonte, a lua cheia subiu, redonda e grande, luminosa e bela no céu azul. Continuar a ler


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O Espírito do Natal – J. J. Letria

Estava o Senhor Teotónio, que era rico, muito gordo e grande fumador de charutos, a carregar o carro com os presentes que passara a manhã a comprar para os filhos, para os sobrinhos e para as muitas pessoas com quem fazia negócios, quando se aproximou dele um homem pobre, idoso e magro, que prontamente obteve dele esta resposta:

— Comigo não perca tempo porque não tenho dinheiro trocado, nem alimento falsos mendigos.

— Mas eu não lhe pedi nada — respondeu o homem idoso serenamente, com um sorriso que desarmou o Senhor Teotónio e a sua bazófia de novo-rico.

— Então se não me quer pedir nada, por que motivo está tão perto de mim enquanto eu carrego o meu carro? — perguntou o Senhor Teotónio entre duas baforadas de charuto que fizeram o homem idoso e magro tossir convulsivamente.

— Estou aqui, meu caro senhor — respondeu ele, já refeito da tosse — para tentar perceber o que as pessoas dão umas às outras no Natal. Continuar a ler


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Os Magos que não chegaram a Belém – Luísa Dacosta

Sem TítuloHá sempre os que conseguem e os outros. Os que ficam pelo caminho. Com os magos aconteceu o mesmo. Só três – os reis Baltasar, Melchior e Gaspar – chegaram a Belém e deixaram os seus presentes, de ouro, incenso e mirra, aos pés do Menino. Mas os magos, sacerdotes que estudavam o céu e os seus astros, eram muitos. E outros se puseram a caminho, seguindo aquela estrela, súbito, nascida no firmamento e mais brilhante do que todas as outras que aqueciam a noite.

Desses, três sacerdotes da Caldeia, adoradores do sol e da natureza, porque dela se sentiam dependentes, decidiram também partir juntos para melhor enfrentarem os perigos de uma viagem, sem estrada conhecida, na esperança de alcançarem a Luz que aquele sinal anunciava. Não eram reis, nem tinham coroa, nem sequer montada de camelo ou burrinho manso. Também não levavam presentes, apenas a ansiedade dos seus corações. E, confiantes, abandonaram as margens verdes do Eufrates, o trilho conhecido das caravanas e, guiados pela estrela, puseram-se a seguir a liberdade dos caminhos, crentes de que a força da esperança e da fé (não conheciam ainda o Amor) lhes permitiria chegar. Onde? Não sabiam. Mas lá, junto daquela Luz que havia de transformar o mundo, Continuar a ler


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O presente de Natal do Pequeno Anjo

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Era uma vez – segundo a contagem do tempo dos homens, há muitos, muitos anos, segundo o calendário do céu, há apenas um dia – um anjinho triste, conhecido em todo o reino celestial por Pequeno Anjo.

O Pequeno Anjo tinha exactamente dez anos, seis meses, cinco dias, sete horas e vinte e dois minutos quando chegou junto do venerável Guarda da Porta do Céu e pediu para entrar. Ali estava ele, desafiador, as perninhas curtas teimosamente abertas, a fazer de conta que não estava nada impressionado com todo aquele brilho celestial. Mas o lábio superior tremia-lhe, traiçoeiro, e também não conseguia evitar que uma lágrima lhe rolasse pela cara, já completamente vermelha do choro, e só fosse parar no nariz sardento.

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Um gato debaixo do pinheiro de Natal – Colette Nys-Mazure

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— O gato cinzento está com mau aspeto — observa Laura, empoleirada no alto do pequeno muro que separa o jardim do baldio. Mas o pai está a cortar a sebe e não ouve o que ela diz.
— O gato cinzento está com mau aspeto; acho que está doente… — insiste ela.

A mãe não ouve, ocupada também a arrancar as ervas do passeio, o que Laura, aliás, também devia estar a fazer para a ajudar.

Então Laura repete para si, em voz baixa e grave:

— Parece que o gato cinzento vai morrer.

O gato sem nome nem casa tem o pelo descaído e o salto lento; não liga aos pássaros, já não tem fome, foge do sol e abriga-se entre dois pés de urtigas.

— É preciso chamar o veterinário — sugere Laura.

— Nem penses! Ele tem mais que fazer do que tratar os gatos vadios. Continuar a ler


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Uma ceia inesperada – J. J. Letria

Numa noite gelada de Dezembro, dois pobres cães vadios procuravam abrigo debaixo de uma grande árvore de Natal erguida no meio de uma praça, com uma vistosa iluminação que podia ser observada até do céu. Debaixo dos ramos da árvore e próximo do calor das lâmpadas fortes, eles conseguiam ter algum conforto, protegendo-se da chuva e do frio intenso.

Disse um dos cães para o companheiro:

— Há quanto tempo andas nesta vida?

— Desde o Verão passado. Os meus donos foram de férias e, como acharam que dava muito trabalho arranjar quem tomasse conta de mim, abandonaram-me. Foi assim que me tornei vadio, embora seja um cão de raça.

— Quer então dizer que é o primeiro Natal que passas na rua? Continuar a ler


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O Silêncio e a Tranquilidade – Anselm Grün

 

Chama-se ao Advento o tempo do silêncio. Apesar disso, muitos são os que o vivem enquanto tempo de barulho e de agitação. As pessoas precipitam-se para as lojas a fim de fazer as compras de Natal. E, no entanto, o silêncio é necessário para que Deus possa vir até nós. Sem silêncio, não nos apercebemos da sua vinda, não o ouviremos bater à porta do nosso coração.

Em alemão, a noção de silêncio encontra-se ligada à de imobilidade. Para fazermos silêncio em nós, importa que paremos, que deixemos de correr de um lado para o outro, que deixemos de nos agitar e fiquemos sozinhos connosco. Só me encontrarei a mim próprio se me imobilizar. Deixarei então de viver no exterior a minha agitação; aperceber-me-ei dela dentro de mim. Só alcança o silêncio, a tranquilidade, aquele que sabe resistir à sua própria agitação. A língua alemã associa igualmente, num único vocábulo [Stille, Stillen], a tranquilidade e a amamentação do recém-nascido. Ao aleitar a criança que chora com fome, a mãe acalma-a. Da mesma forma, Continuar a ler


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O Estábulo – Anselm Grün

Cristo nasceu num estábulo. C. G. Jung, para quem tal facto se reveste de um grande simbolismo, acredita que o estábulo em que Deus nasce representa cada um de nós. Não somos nem um palácio, nem uma casa nova e bem equipada, nem um quarto confortável. E cada um de nós associa o estábulo a experiências e sentimentos que lhe são muito próprios. Uma mulher contou-me que, em pequena, ao regressar da escola, ia sempre direita ao estábulo: era aí que ela se sentia em casa. O próprio cheiro do estábulo infundia lhe uma sensação de segurança e nele pressentia as suas raízes. No estábulo há animais. Trata-se pois de um lugar de vida, de nascimentos sempre repetidos e de morte: nele se encerra todo o quotidiano, com os seus altos e baixos.

As crianças sentem-se próximas dos animais; estes deixam-se acariciar, permitem que se ocupem deles e são mais pacientes do que os humanos. Ouvem o que as crianças têm para lhes dizer. E, além disso, no estábulo há sempre Continuar a ler


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O Deserto – Anselm Grün

  

No segundo domingo do Advento é-nos dito: “Voz que clama no deserto: Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as suas veredas” (Marcos, 1,3sg.). É no deserto que João Baptista faz a sua aparição, é no deserto que clama a Voz do Advento. O Advento traz-nos a promessa solene de transformar o nosso deserto de maneira a fazê-lo florir. Para nós, hoje, o deserto é o sentimento que temos da nossa existência. Falamos do deserto de betão que se encontra nas nossas cidades, do deserto que é o coração dos homens, onde apenas reinam o vazio e a desolação. O deserto é a imagem da solidão, do abandono; é o absurdo, a perda da relação, a secura absoluta. Para os monges do séc. IV, o deserto era a morada dos demónios, o lugar onde vagueiam e operam as trevas, onde o mal tenta apoderar-se do homem.

No contexto actual, pode-se dizer que é o lugar onde reinam os espíritos do tempo: violência, desconfiança, exploração, destruição. A noção de deserto evoca um espaço solitário, desabitado, inculto, desolado, bravio, selvagem, feio, detestável. Todas estas palavras descrevem também o estado actual da nossa alma. Sentimos em nós o vazio e a solidão. Em lado nenhum nos sentimos em casa: somos uns sem-abrigo. Há em nós forças brutais indomáveis que nos desfeiam o rosto. O deserto é o lugar onde somos confrontados sem rodeios connosco e com o que a nossa realidade tem de mais desagradável.

Neste deserto que é o nosso coração, precisamos de preparar o caminho do Senhor. Para lhe abrirmos caminho, temos de nos aventurar no nosso próprio deserto. Tudo o que temos reprimido e recalcado: Continuar a ler


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Os Magos – Anselm Grün

Sem Título Mateus relata que, após o nascimento de Jesus, vieram magos do Oriente até Jerusalém. Estavam à procura do rei dos Judeus que acabara de nascer e cuja vinda lhes tinha sido anunciada por uma estrela. Estes magos poderiam ter sido astrólogos babilónios, peritos na interpretação dos sonhos, membros da casta sacerdotal persa que se distinguiam por um saber sobrenatural. Sem dúvida que os Judeus escorraçados para a Babilónia teriam falado aos astrólogos do lugar da vinda do Messias. A arte do cristianismo primitivo representa os Magos enquanto sacerdotes da religião de Mitra, principal adversária da igreja nascente.

Importa ver nestes factos um significado particular. Mateus e os Padres da Igreja interpretaram a adoração dos Magos como um sinal de que os sábios e os iniciados do mundo inteiro vinham até Cristo para o homenagear e para lhe trazer presentes. Todo o saber e toda a experiência que os homens tinham, desde sempre, acumulado, conduzia à adoração da Criança Divina. Mateus transmite-nos, assim, uma perspectiva bem ampla: onde e qualquer que seja a forma da nossa procura, qualquer que seja a experiência que acumulemos, em astrologia ou no domínio da interpretação dos sonhos, na magia ou em práticas esotéricas, pouco importa. O que vamos encontrar, no mais fundo de tudo isso, é a nostalgia da Criança Divina, do Deus que, ao encarnar-se, se torna visível. Continuar a ler


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A Vela: uma luz – Anselm Grün

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Durante o Advento, gostamos de nos sentar diante de uma vela acesa, procurando encontrar, na sua luz, a paz. As velas, os castiçais, exerceram, desde sempre, sobre os homens uma atracção particular. A sua luz é cheia de doçura. Ao contrário do néon, cuja luz é tão crua, a luz da vela só ilumina o espaço à nossa volta, deixando tudo o resto na penumbra. O seu brilho difunde-se num ameno calor. Não se trata de uma fonte de iluminação artificial que deve expandir-se igualmente sobre todas as coisas. Pelo contrário, a luz da vela possui, na sua essência, as qualidades do mistério, do calor, da ternura. À luz da vela podemos olhar-nos a nós próprios; percebemos então, com um olhar mais doce, a nossa realidade, muitas vezes tão dura. Esta doçura dá-nos coragem para nos vermos tal como somos, e para assim nos apresentarmos diante de Deus. Podemos então aceitar-nos a nós mesmos.

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Um gato chamado «Natal» – Rand Souden

Alan abriu a porta das traseiras na manhã de Natal e encontrou o pátio coberto com um belo manto de neve branca e cintilante. Mas não lhe encontrou qualquer beleza.

Alan sentia-se infeliz, como acontecia muitas vezes, porque não recebera o que queria no Natal. Em vez da arma BB que pedira, Alan recebera uma bicicleta nova. Era uma bicicleta vermelha, reluzente, com rodas cromadas e borlas azuis e brancas, presas no guiador. A maioria das crianças teria ficado contente se a encontrasse ao lado da árvore na manhã de Natal, mas Alan não.

«És muito novo para teres uma arma», explicara a mãe, tentando consolá-lo. Mas não resultara. Ficara amuado toda a manhã. Quando Alan estava triste, queria que todos também estivessem tristes.

Por fim, depois de abertos todos os presentes, o pai pedira a Alan que levasse as caixas e o papel de embrulho para o lixo. Quando Alan atirou os papéis para dentro do barril, um gatinho trémulo espreitou por detrás da vedação e saudou-o com Continuar a ler


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Na solidão de um tempo…

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I

Na solidão
de um tempo
que os homens ignoram
uma Criança espera.

Na espiral dos desejos vãos
uma Criança observa
o escoar das horas.

Frágil.

A sapiência humana despreza-a.
O tropel das paixões abafa-lhe a voz.

Na miragem do ter
a Verdade desvanece-se.

A intolerância e a ambição
semeiam a cegueira.

Surda
a canção da infância.

II

Menino-Saudade…
Para onde foi
o teu riso confiante
o teu olhar de transparência?
A mágoa de perder-te
infante
nos caminhos do tempo
e da ausência!

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O Pinheirinho – Hans Christian Andersen

  

Pensa no Natal e, provavelmente, pensarás numa árvore de Natal. Na maioria dos locais onde o Natal é celebrado, a árvore é muito importante. Significa uma vida nova e promete a vinda de dias mais claros na Primavera. A versão de Jenny Koralek deste conto de Hans Christian Andersen é melancólica, mas gosto da intensidade do seu sentimento, cheio da ansiedade e da tristeza que sentimos, à medida que a festa chega ao fim. Guarda este conto para o leres em voz alta com toda a família no dia de Reis. Não comeces, até que todos tenham ajudado a arrumar as luzes e as decorações e até que haja um trilho de fagulhas castanhas desde a sala de estar até à fogueira ao ar livre. Então, estarás, precisamente, num momento de boa disposição para o fazer…

Lá fora, na floresta, encontrava-se um pequeno e belo Pinheirinho. Nasceu num lugar agradável, onde havia muita luz e muito ar. Estava rodeado de muitas árvores maiores — pinheiros, e abetos também — mas o Pinheirinho ansiava por crescer mais. Não dava valor ao ar fresco, ou às crianças que vinham tagarelar para a floresta e procurar morangos e framboesas. Continuar a ler