Preparando o Natal


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O segredo de Shaira

Sem TítuloUm conto de Rajastão. O Rajastão é o maior estado da Índia. Tem 32 distritos e a sua capital é Jaipur.

Em tempos que já lá vão, quando os deuses e as deusas visitavam as casas das pessoas, uma menina vivia com a sua mãe viúva num bairro de lata junto ao rio. Todos os dias Shaira ia de casa em casa, por becos e vielas, e recolhia roupa suja que a mãe depois lavava. Todos os dias rezava a Lakshmi, a deusa da fortuna, pedindo-lhe bênçãos para que a mãe não tivesse de ser lavadeira a vida toda.

Uma certa manhã, enquanto caminhava para casa demoradamente, pensou que em breve se celebraria Divaali, o Festival das Luzes. Que prenda iria dar à mãe? Acima da sua cabeça, os gritos agudos dos corvos interromperam-lhe o fluxo do pensamento. Do bico do corvo maior pendia um objeto brilhante. Continuar a ler


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Um dia de chuva muito especial

1Nova Iorque, Lower East Side, 1912. A área sudeste de Nova Iorque acolheu milhares de emigrantes durante as grandes ondas de emigração para a América. Esta zona pobre da cidade tornou-se na área com maior densidade populacional do mundo. Aqui viviam pobremente muitas comunidades estrangeiras, entre elas a de Judeus. Com efeito, era na Lower East Side que se encontrava a maior comunidade Judaica do mundo. Num modesto apartamento vivem Ella, de doze anos, Henny, de dez, Sarah, de oito, Charlotte, de seis e Gertie, de quatro anos, com a mãe e o pai, um comerciante de coisas usadas. O dinheiro não abunda, mas a mãe dirige a casa habilmente. Uma casa onde reina a alegria e a harmonia.

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A Lower East Side de Nova Iorque era uma zona pouco bonita. Não tinha relva e nos passeios cinzentos e nas sarjetas calcetadas nada crescia. Flores, só as que se viam nas poucas lojas de floristas. Não havia alamedas ladeadas por árvores. Nos passeios só havia candeeiros a gás. Não havia um ribeiro onde as crianças pudessem chapinhar nos dias de verão. Só o rio East, cujas águas, verdes escuras e sujas, cheiravam a peixe, a madeira alcatroada dos barcos e a lixo putrefato.

Como muitas outras famílias judias, o pai e a mãe moravam com as cinco filhas no bairro muito povoado. Mas, ao contrário da maior parte das famílias, não moravam numa casa grande, mas num apartamento de quatro assoalhadas e vestíbulo de um prédio de dois andares. O pai tinha uma loja não longe do rio, na cave de um antigo armazém. Para lá chegar, tinha de se descer por uma escada de madeira perigosamente estreita, sem corrimão. Mas isso não impedia as crianças de irem visitar o pai. Iam lá muitas vezes, pois, para elas, a loja era como o reino de um conto de fadas. Era uma loja de velharias. Continuar a ler


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Um narciso amarelo

1Morris Kaplan vive num pequeno apartamento por cima de um restaurante muito frequentado. Todas as noites, os sons abafados de mesas a serem postas, de música a tocar, de pessoas a falar e a rir fazem-lhe companhia, enquanto prepara e come o jantar e enquanto lê o jornal da tarde. Morris adormece com frequência na cadeira, junto à janela, com o jornal estendido sobre os joelhos, como se fosse um cobertor. Chega a dormir lá toda a noite, de roupão e chinelos.

De manhã, acorda cedo, mesmo antes de entregarem o leite e os legumes no restaurante. Veste-se com cuidado e come um pequeno-almoço de torradas, geleia e chá, que toma num copo. Depois sai, põe a carrinha a trabalhar e inicia a longa viagem até ao mercado das flores.

Hoje, Morris caminha devagar por entre os enormes baldes cheios de íris, margaridas, cravos, rosas, lírios e inspira o ar cheio de fragrâncias. Numa das tendas, escolhe um cravo vermelho: passa a mão devagar pelas pétalas, examina o caule e afasta-se. Morris tem por hábito escolher apenas as flores mais frescas e bonitas para a sua loja. Continuar a ler


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O Natal em que fiquei rica

Ser pobre e satisfeito é ser rico. E bastante rico.
William Shakespeare

Havia uma árvore naquele Natal. Não tão grande e frondosa como outras, mas estava pejada de enfeites e tesouros e resplandecia de luzes. Havia presentes, também. Alegremente embrulhados em papel vermelho ou verde, com etiquetas coloridas e fitas. Mas não tantos presentes como de costume. Eu já tinha reparado que a minha pilha de presentes era muito pequena.

Nós não éramos pobres. Mas os tempos eram difíceis, os empregos escassos, o dinheiro à justa. A minha mãe e eu partilhávamos uma casa com a minha avó e com os meus tios. Naquele ano da Depressão, toda a gente espaçava refeições, levava sanduíches para o trabalho e ia a pé para poupar nos bilhetes de autocarro. Anos antes da Segunda Guerra Mundial, já vivíamos no dia-a-dia, como muitas outras famílias, o que então se iria ouvir como slogan: “Usa-o, aproveita-o ao máximo; faz com que funcione, ou passa sem ele.” Continuar a ler


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Clara – a menina que sobreviveu ao Holocausto

 Uma história tão tocante quanto O diário de Anne Frank e A lista de Schindler. É o que se pode dizer deste livro, baseado no diário que a judia Clara Kramer escreveu em plena Segunda Guerra Mundial, quando tinha apenas 15 anos.

A 21 de julho de 1942, os Nazis conquistam a cidade polaca de Zolkiew, originando a deportação e o massacre de milhares de judeus. A família de Clara consegue esconder-se num bunker que apressadamente escavaram à mão. A viver por cima deles e a protegê-los, estava a família Beck. Embora se proclame antissemita, o Sr. Beck arrisca diariamente a vida pelos dezoito judeus que acolheu.

Apesar das condições de vida inumanas, dos relatos diários da morte de familiares e amigos e do terror constante, os laços de amor e solidariedade que se estabeleceram entre eles dão conta da grandeza que faz pulsar o coração humano.

Contra todas as probabilidades, Clara sobreviveu para contar a sua história. Continuar a ler


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Um buraco na asa

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— Pai, pai, porque é que aquele anjo tem um buraco na asa?

O pequeno Carlos puxava pela manga do seu cansado pai, que tentava entrar na capela das missas ordinárias, as que não se celebram nos dias festivos, por detrás do altar-mor da catedral de Milão. Luís estava demasiado cansado para prestar atenção ao filho… por isso, este voltou a perguntar:

— Sim, pai, aquele anjo ali — o menino apontava com o dedo indicador a imagem que se encontrava ao lado do sacrário — o que está ao lado de Jesus! Continuar a ler