Preparando o Natal


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Ângela e o Menino Jesus

1Quando Ângela, a minha mãe, tinha seis anos, sentiu pena do Menino Jesus que estava no presépio da igreja de Saint Joseph, que ficava perto do lugar onde vivia. Pensava que o Menino tinha frio e perguntava-se por que motivo ninguém lhe punha um cobertor por cima do corpinho nu.

Não que ele parecesse infeliz: sorria para a mãe, a Virgem Maria, para S. José, e para os três pastores com cordeirinhos às costas, que pareciam bem quentinhos nos seus casaquinhos de pele. Mas, mesmo que sentisse frio, nunca se queixaria, porque o Menino Jesus nunca iria querer que a sua mãe se sentisse infeliz.

A pequena Ângela também sentia frio e fome com frequência, mas nunca se queixava, com medo de que a mãe, os irmãos e a irmã a mandassem parar com a choradeira. Haveria de encontrar uma forma de ajudar o pobre Menino Jesus, sem que ninguém soubesse de nada. Continuar a ler


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O Natal em que fiquei rica

Ser pobre e satisfeito é ser rico. E bastante rico.
William Shakespeare

Havia uma árvore naquele Natal. Não tão grande e frondosa como outras, mas estava pejada de enfeites e tesouros e resplandecia de luzes. Havia presentes, também. Alegremente embrulhados em papel vermelho ou verde, com etiquetas coloridas e fitas. Mas não tantos presentes como de costume. Eu já tinha reparado que a minha pilha de presentes era muito pequena.

Nós não éramos pobres. Mas os tempos eram difíceis, os empregos escassos, o dinheiro à justa. A minha mãe e eu partilhávamos uma casa com a minha avó e com os meus tios. Naquele ano da Depressão, toda a gente espaçava refeições, levava sanduíches para o trabalho e ia a pé para poupar nos bilhetes de autocarro. Anos antes da Segunda Guerra Mundial, já vivíamos no dia-a-dia, como muitas outras famílias, o que então se iria ouvir como slogan: “Usa-o, aproveita-o ao máximo; faz com que funcione, ou passa sem ele.” Continuar a ler


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O primeiro presépio vivo

1Em Itália, na aldeia de Grecchio, há séculos que os habitantes vêm contando de pais para filhos esta linda história:

«Francisco de Assis e os seus amigos tinham escolhido uma gruta próxima da aldeia para viverem uma vida de pobreza. Assim fora decidido entre eles. Afastados dos demais, os quatro jovens companheiros aproveitavam o isolamento para rezar.

Uma bela manhã, ao aproximar-se o Natal, Francisco resolveu que não iriam passar a festa sozinhos.

— Gostava que celebrássemos aqui o Natal — anunciou ele aos outros irmãos.

— Na gruta? — perguntou, admirado, o Irmão Rufino.

— Então Jesus não nasceu na pobreza? — respondeu Francisco. — O presépio de Belém não é semelhante à nossa gruta?

— Que óptima ideia! — aplaudiu o Irmão Leão . Continuar a ler


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Uma cadelinha chamada “Natal”

O ano do meu décimo aniversário foi também o primeiro ano em que toda a nossa família tinha emprego.

O meu pai fora dispensado do seu emprego de sempre, mas encontrara trabalho de pintura e carpintaria um pouco por toda a cidade. A minha mãe costurava vestidos elegantes e fazia tartes para fora, e eu trabalhava depois das aulas e aos fins de semana para a Srª. Brenner, uma vizinha que fazia criação de cães da raça cocker spaniel. Continuar a ler


A lata dos biscoitos de Natal

Dás muito pouco quando dás do que possuis.
É quando te dás a ti próprio que dás verdadeiramente.

Kahlil Gibran, The Prophet

Era quase Natal e eu estava em casa do meu pai… pela última vez. O meu pai tinha morrido alguns meses antes e a casa onde tínhamos crescido tinha sido vendida. A minha irmã e eu estávamos a limpar o sótão.
Peguei numa velha lata de biscoitos de Natal que o meu pai tinha usado para guardar as lâmpadas extra das luzes de Natal. Enquanto segurava a lata, vieram-me à memória lembranças de um Natal passado.
Eu tinha onze anos e, com o Natal a apenas uma semana de distância, acordei na manhã de um dia perfeito para andar de trenó. Tinha nevado durante toda a noite e os meus amigos já deviam estar a atirar-se pela colina abaixo, mesmo no fim da nossa rua. Não era o que se poderia chamar um grande desafio, mas Continuar a ler


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A festa das bolachas

Ninguém consegue fazer-te sentir inferior se tu não o permitires.
Eleanor Roosevelt

Pousei a pasta no balcão de pedra da cozinha e contornei com o dedo as letras douradas e em relevo, impressas no espesso cartão cor de marfim. “Está convidado/a para uma Festa de Bolachas de Natal”, podia ler-se no cartão. O convite era de uma executiva brilhante, criativa e poderosa que eu tinha conhecido há uns meses atrás. E fiquei surpreendida e entusiasmada pelo convite.
Conforme ela explicava no cartão, cada senhora levaria uma fornada de bolachas caseiras. Depois, misturaríamos uma amostra de todas as bolachas e levaríamos para casa, para a nossa família, um pacote de gulodices várias. Adorei a ideia de levar às minhas filhas adolescentes um daqueles conjuntos de doces caseiros. Imaginei uma sala repleta de cestos encantadores com doces e bolachas em forma de estrela, e uma abundante cobertura vermelha ou verde. Imaginei um vistoso cesto de bolachas em forma de Pai Natal, e uma fornada de bolachas com Continuar a ler