Preparando o Natal


Deixe um comentário

Ângela e o Menino Jesus

1Quando Ângela, a minha mãe, tinha seis anos, sentiu pena do Menino Jesus que estava no presépio da igreja de Saint Joseph, que ficava perto do lugar onde vivia. Pensava que o Menino tinha frio e perguntava-se por que motivo ninguém lhe punha um cobertor por cima do corpinho nu.

Não que ele parecesse infeliz: sorria para a mãe, a Virgem Maria, para S. José, e para os três pastores com cordeirinhos às costas, que pareciam bem quentinhos nos seus casaquinhos de pele. Mas, mesmo que sentisse frio, nunca se queixaria, porque o Menino Jesus nunca iria querer que a sua mãe se sentisse infeliz.

A pequena Ângela também sentia frio e fome com frequência, mas nunca se queixava, com medo de que a mãe, os irmãos e a irmã a mandassem parar com a choradeira. Haveria de encontrar uma forma de ajudar o pobre Menino Jesus, sem que ninguém soubesse de nada. Continuar a ler

Anúncios


Deixe um comentário

Um buraco na asa

1

— Pai, pai, porque é que aquele anjo tem um buraco na asa?

O pequeno Carlos puxava pela manga do seu cansado pai, que tentava entrar na capela das missas ordinárias, as que não se celebram nos dias festivos, por detrás do altar-mor da catedral de Milão. Luís estava demasiado cansado para prestar atenção ao filho… por isso, este voltou a perguntar:

— Sim, pai, aquele anjo ali — o menino apontava com o dedo indicador a imagem que se encontrava ao lado do sacrário — o que está ao lado de Jesus! Continuar a ler


Deixe um comentário

A trégua de Natal

1

Na Finlândia, próximo da cidade de Turku, o duque João passa revista às tropas como habitualmente faz todos os dias. Olha com muita pena para estes homens cansados. Estão mobilizados para defender a cidade contra vizinhos invejosos que desejam apoderar-se dela.

“O Natal está a chegar e todos gostaríamos de passar a festa em família”, pensa ele com tristeza. “Se não estivéssemos em guerra… Se os combates pudessem cessar por uns momentos…” Continuar a ler


Deixe um comentário

O Cesto de Natal da tia Cyrilla

Mais uma vez, o verdadeiro espírito de Natal é representado neste conto do autor canadiano de Ana dos Bicos Verdes (Anne of Green Gables), como qualquer coisa de simples e familiar. Publicado pela primeira vez em 1903, na revista Young People, este conto é sobre Lucy Rose, a menina arrogante do campo que queria ser elegante e sofisticada. Fica desconcertada com o «provincianismo» da tia Cyrilla e tem vergonha do cesto cheio de iguarias caseiras, que a tia carrega quando vai visitar os familiares. Quando o comboio ficou bloqueado na neve, até mesmo, nos feridos e nos desesperados que havia no meio dos passageiros, despontou uma nova esperança e alento, provocados pela amabilidade de um estranho.

Quando Lucy Rose encontrou a tia Cyrilla a descer as escadas, algo ofegante e ruborizada pela ida ao sótão, com um cesto enorme, com tampa, enfiado no braço roliço, soltou um pequeno suspiro de desespero. Há alguns anos que Lucy Rose fazia o melhor que podia – de facto, desde que tinha prendido o cabelo e aumentado ao comprimento das saias – para que a tia Cyrilla perdesse o hábito que tinha de levar aquele cesto com ela, sempre que ia a Pembroke; mas a tia Cyrilla insistia em levá-lo e só se ria do que ela apelidava de «ideias afectadas» de Lucy Rose. Lucy Rose achava horrível e extremamente provinciano a tia carregar sempre o cesto consigo, cheio de coisas boas do campo, de cada vez que ia visitar Edward e Geraldine. Geraldine era tão elegante que talvez achasse aquilo estranho; e depois, a tia Cyrilla levava-o sempre no braço, e dava biscoitos, maçãs e chupa-chupas de melaço a todas as crianças que encontrava e, de vez em quando, também a pessoas de idade. Quando Lucy Rose ia à cidade com a tia Cyrilla, sentia-se desgostosa com isto – mas Lucy era ainda muito nova e tinha muita coisa a aprender neste mundo. Continuar a ler


Deixe um comentário

O dia em que fiz o papel de Maria

Quando morávamos à beira-rio, ainda havia invernos a sério: muito frios, com muita neve e cristais de gelo nas janelas.
Quando morávamos à beira-rio, a minha mãe acendia sempre o fogão pela manhã.
Amarrota folhas de jornal e mete-as na portinhola do fogão. Por cima coloca lascas de madeira e depois dois briquetes em brasa retirados da caixa do carvão. Embrulhada na camisa de dormir comprida e branca, ajoelha-se em frente do fogão e sopra com cuidado.
Puxo até ao pescoço o cobertor grosso e observo-a. Faz isto todas as manhãs. Fecho os olhos e ouço a madeira a crepitar.
Quando morávamos à beira-rio, podia ficar na cama até a cozinha estar aquecida. Em seguida, a mãe fazia chocolate quente e colocava à minha frente, sobre a mesa, a chávena cor de rosa com desenhos de nuvens. Continuar a ler


Deixe um comentário

O porquinho-da-Índia de José

Sem TítuloDesde os seis anos de idade que José ansiava ter um porquinho-da-Índia, mas, de cada vez que começava a falar do assunto, a mãe dizia imediatamente:
— Os porquinhos-da-Índia cheiram mal.
Ou:
— O lugar dos porquinho-da-Índia é no Parque Biológico.
Ou:
— Pobre bichinho, numa casa tão pequena…
E coisas semelhantes…
Nesse ano, José tinha jurado a si mesmo que o seu desejo iria finalmente realizar-se.
— Apostas em como recebo um porquinho-da-Índia pelo Natal? — disse ao seu amigo Tiago. — Vais ver…
E arranjou um plano.

Continuar a ler


Deixe um comentário

Jácome e o cântico de Natal

Jácome está de muito mau humor. Dentro de dias é Natal e ele não gosta do Natal. Não acredito nessa história de Deus nascer numa manjedoura… tretas! , resmunga ele para os seus botões. Batem à porta e o velho músico resmunga mais uma vez:
— O que é que se passa? — pergunta com alguma rudeza enquanto vai abrir.
— Desculpe! — responde um jovem. — Não queria incomodá-lo!
Jácome suaviza a voz e convida o visitante a entrar.
— Perdoe. Sou um velho rabugento. Em que posso ajudá-lo? Continuar a ler