Preparando o Natal

A história do perdão

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O Yom Kipur ou Kippur é um dos dias mais importantes do judaísmo. No calendário hebraico começa no crepúsculo que inicia o décimo dia do mês hebraico de Tishrei (que coincide com setembro ou outubro), continuando até ao pôr do sol seguinte. Os judeus observam tradicionalmente esse feriado com um período de jejum e orações.

O pai de Hanoch contou-lhe que, todos os anos, quando era novo, na véspera do Yom Kippuria visitar os seus amigos e conhecidos e fazia-lhes a seguinte pergunta:

— Digam-me, por favor, se vos fiz algum mal, se vos ofendi de alguma forma, ou fui causa de infelicidade. Se o fui, lamento profundamente e peço-vos perdão.

Esta história deu que pensar a Hanoch. O rapazinho disse para consigo “E porque não faço eu a mesma coisa?”

Correu para a cozinha, onde a mãe preparava o jantar, atarefada. Reinava ali um grande reboliço, com panelas e frigideiras a fumegar, e um cheirinho agradável no ar.

Ficou junto da porta e esperou pelo momento certo para falar com a mãe. Quando esta o viu, deixou as sertãs e perguntou-lhe:

— O que se passa, filho? Já tens fome?

Hanoch não respondeu. Sentia-se desconfortável.

— Porque estás tão calado, querido? — insistiu a mãe. — Não te sentes bem? Diz-me o que se passa.

— Não estou doente, mamã.

— Nesse caso, o que te traz à cozinha no meio da minha azáfama? É melhor ires brincar.

Hanoch foi até junto da mãe e segredou-lhe:

— Hoje é véspera do Yom Kippur e venho pedir-te que me perdoes.

— Perdoar-te, filho? Porquê? O que fizeste?

— Talvez te tenhas esquecido, mamã. Foi quando tiveste aquela dor de cabeça, e estavas deitada. Pediste-me que guardasse as galinhas na capoeira. Prometi-te que o faria, mas fui brincar com os outros meninos. Fui andar com eles de bicicleta e esqueci-me das galinhas. E cinco galinhas foram encontradas mortas na manhã seguinte. Não te disse nada naquela altura porque me sentia muito infeliz.

Enquanto falava, Hanoch tinha lágrimas nos olhos.

— Mas hoje tive de te contar e pedir-te que me perdoes.

A mãe olhou para ele com amor e beijou-o.

— Claro que te perdoo!

O menino abraçou-a e, com o coração já bem mais leve, foi brincar.

Leslie Daiken
Gan-Gani Let us play in Israel
Tel-Aviv, N. Tversky Publishing House, 1966
Tradução e adaptação

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