Preparando o Natal

Uma árvore de Natal especial

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Estar aborrecido com o que não tens é desperdiçar o que tens.
Ken S. Keyes

Era um dia frio, depressivo em vários sentidos. O Natal estava a aproximar-se e, como mãe solteira de três crianças a viver de apoios financeiros esporádicos, eu tentava fazer com que o pouco dinheiro que tinha esticasse em várias e diferentes direções. A minha mãe e o meu pai, juntamente com outros parentes bondosos, fariam com que os rapazes tivessem presentes, e a grande festa de Natal seria em casa do meu irmão. Por isso, eles cuidariam que o essencial não faltasse.
A festa de Natal anual feita na escola pouco contribuiu para me animar e, no caminho para casa, o vento cinzento e tempestuoso, arrastando a minha velha e pequena pick-up na estrada, apenas tornava as coisas pior.
Naquela noite, a questão seria colocada, como era todas as noites, por um ou por todos os rapazes: quando faremos a nossa árvore de Natal? E disseram-me de forma inequívoca que o Pai Natal não teria onde colocar os presentes se não tivéssemos uma árvore de Natal… Infelizmente, descobri que mesmo as árvores mais pequenas para venda nos Escuteiros estavam muito para além do meu orçamento.

Pequenos e grandes ramos agitavam-se em todas as direções, tornando a condução ainda mais desafiadora. Pareciam empurrar-se uns aos outros para fora do caminho, como se estivessem a fazer uma corrida para ver qual deles poderia saltar para a minha frente em primeiro lugar.
Muitos eram compactos, vacilando de um lado para o outro, como que a decidir o caminho a seguir. Alguns deles até se pareciam um pouco com uma árvore de Natal… De repente, fui arrastada para a berma da estrada, saí do carro e aguardei que um deles viesse ter comigo. O primeiro que vi era de tamanho médio, de cerca de sessenta centímetros de altura e noventa centímetros de largura. Amarrei-o na parte de trás do camião, e comecei a andar pelo campo, à procura de ramos ainda mais pequenos e com uma forma mais adequada. Não sabia muito bem o que ia fazer com eles, mas cheguei a casa com quatro e levei-os para a sala de estar. Quando as crianças chegaram, questionaram-me sobre a pilha de ramos a formarem um tufo denso e castanho…

— Esta vai ser a nossa árvore de Natal — disse eu, sabendo que seria realmente difícil convencê-los. — Será uma árvore como nenhuma outra e nenhum dos nossos amigos vai ter uma igual! E até ficaria muito surpreendida se nenhum fotógrafo viesse cá para lhe tirar uma foto…
Os meus filhos ouviram com educação, olhando fixamente o tempo todo para as quatro manchas de densa folhagem. O olhar de descrença no rosto deles era o mesmo que exibiram quando lhes disse que as cenouras eram boas para os olhos e que os espinafres iriam torná-los fortes…

No dia seguinte, tinha de pensar em algo antes que eles chegassem a casa da escola. Andei em torno das ramagens várias vezes, estudando a sua forma e tamanho individuais. A mais pequena era pontiaguda, e com uma fina corda branca pendurei-a no teto em frente da janela da sala de jantar, com o fundo arredondado virado para o chão. As três mais redondas foram penduradas à volta, dando a ilusão de árvores suspensas, com muito espaço em baixo para os presentes do Pai Natal.
Mas ainda não estava parecida com uma árvore de Natal!
Encontrei então uma lata de spray de tinta branca e alguns brilhantes multicoloridos que sobraram de um projeto da escola. Pendurei um lençol sobre a janela para protegê-la da tinta, pulverizei a “árvore” e, então, cuidadosamente, polvilhei-a com os brilhantes. Os arbustos eram demasiado frágeis para luzes tão pesadas. Então, cautelosamente, enfiei pequenas luzes brancas em volta do perímetro de cada um deles. O enfeite refletia as luzes, dando um efeito cintilante. Adicionei apenas os ornamentos mais pequenos, e o nosso anjo tradicional, que já vira melhores dias, encaixou-se perfeitamente no ponto mais alto do arbusto pontiagudo. Ficou maravilhoso!
As crianças olharam pela janela antes de entraram em casa, e correram para ver a minha criação.
— Parece um sonho bom! — disse o mais novo, aprovando.
Todas as crianças do bairro vieram naquela noite e ouviram-se ooohed! e aaahed! em torno da nossa árvore de Natal.
Felizmente, este seria o último ano em que teríamos um orçamento tão apertado. A nossa situação familiar mudou, e começou a haver dinheiro para uma grande árvore de Natal na nossa nova casa grande. Ficámos gratos por isso. Mas tempos difíceis tinham exigido criatividade, e não teríamos descoberto isso se tal não tivesse acontecido.

Os meus filhos são agora homens e têm as suas próprias famílias. Mas todos os anos, pelo Natal, alguém conta a história da nossa peculiar árvore de Natal. Como a mãe queria algo diferente, procurou arbustos ao longo de quilómetros pelos campos abertos, debaixo de uma enorme ventania, tentando apanhar os mais perfeitos. Estava cansada das mesmas árvores de sempre…
Sorrimos todos, e até hoje concordamos que aquela foi a árvore de Natal mais bonita de sempre!

Jackie Fleming

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