Preparando o Natal

Tempo frio combina com tamales

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Tempo frio combina com tamales*

Tamales são uma espécie de pastéis de carne, típicos da América Central.

— A culpa é minha — disse Carl Fenter, enquanto apertava o casaco contra o vento anormalmente gelado da manhã. — A minha família está em casa, bem quentinha, e eu aqui ao frio.
Tinha tido a ideia brilhante de fazer uma festa de tamales depois da celebração da Véspera de Natal na igreja e acabara numa fila de 50 pessoas. Quem havia de adivinhar que todas as lojas de tamales da cidade teriam vendido tudo antes do Natal? Nessa mesma manhã, decidido a levar para casa as iguarias, Carl tinha tentado uma das suas antigas lojas favoritas em Canutillo.
Quando chegara, disseram-lhe que haveria uma fornada pronta dentro de 45 minutos. Enquanto esperava na fila sinuosa, viu uma mulher à sua frente tirar o casaco para agasalhar a filha mais nova, transida de frio. Pouco depois, também ela sentia os efeitos do vento gelado. Depois de alguma hesitação, Carl tirou o casaco e ofereceu-o à mãe agradecida. Ambos exultaram quando viram a fila avançar e pessoas sorridentes a sair da loja com sacos fumegantes. Quando Carl já estava dentro da loja, e a mulher a quem emprestara o casaco era a única pessoa à sua frente, o empregado anunciou:
— Peço desculpa, mas acabaram-se os tamales.
— Nem pensar! — queixaram-se Carl e todos os que estavam na fila atrás dele.
— Mas dentro de duas horas teremos uma última fornada pronta — assegurou o mesmo empregado.
Carl fez menção de ir embora, mas a jovem mãe agarrou-o pelo braço.
— Vai-se embora?
— Tenho de ir — disse Carl, olhando para o relógio. — Prometi pendurar luminárias na minha igreja.
— Eu compro a sua encomenda e levo-a a sua casa — ofereceu-se a mulher.
Carl franziu a testa:
— Isso é maçada de mais para si.
— É o mínimo que posso fazer. Emprestou-me o seu casaco — disse a mulher, sorrindo. — Dê- me a sua morada.
Ao meio-dia exato da Véspera de Natal, depuseram em casa de Carl quatro dúzias de tamales fumegantes. Sem esquecer o casaco.

Ellen Fenter, 1998

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