Preparando o Natal

O comboio de Natal

1 Comentário

Sem TítuloHá muitos, muitos anos, numa terra bem distante, um ferroviário, de nome Vassil, vivia com a filha, Malina, numa pequena estação.

Competia a Vassil zelar pela segurança do caminho-de-ferro que atravessava as montanhas, já que súbitas quedas de rochas podiam bloquear a linha e causar acidentes.

Na tarde da véspera do Dia de Natal, Vassil estava, como de costume, a trabalhar na estação. Em casa, Malina ocupava-se da decoração da árvore e não parava de pensar no presente que o pai lhe prometera: o que seria? Estava desejosa de o ver regressar e corria para a janela constantemente, a ver se o avistava.

De repente, ouviu um ruído semelhante a um trovão. A sua cadelinha, Bella, desatou a ladrar e a arranhar a porta com força.

— Deve ter sido uma queda de rochas — exclamou Malina, horrorizada, correndo para fora de casa.

Com efeito, a linha de caminho-de-ferro encontrava-se bloqueada por uma enorme quantidade de rochas. Depois do estrondo, instalara-se na montanha um profundo silêncio. Malina sentiu-se assustada:

— O comboio expresso vai chegar dentro de meia hora! E agora, o que faço? O que faria o meu pai? Já sei! Tenho de avisar o maquinista.

Pensou durante algum tempo. Depois, correu para casa, acompanhada por Bella, aos saltos. Malina lembrou-se do que o pai lhe tinha dito vezes, vezes sem conta:

— Se a linha estiver bloqueada, coloca-te 400 metros à frente do acidente e acende uma fogueira. Depois, acena sem parar com uma lanterna para avisar o maquinista e dar-lhe tempo para travar.

A menina pegou na árvore de Natal e levou-a consigo. Nem deu pelas decorações que iam caindo pelo chão. Correu pela linha abaixo em direcção ao túnel, arrastando a árvore. Faltavam apenas 15 minutos para a chegada do comboio! O túnel estava escuro e silencioso e o brilho da neve ao fundo mal se via. Malina, porém, continuou a arrastar a árvore, sem largar a lanterna acesa. Em breve saiu do túnel e começou a atravessar a ponte; agora, o expresso far-se-ia ouvir a qualquer momento.

Chegou, por fim, ao local que escolhera. Estava sem fôlego devido à corrida e as suas mãos tremeram quando pegou fogo à árvore. As chamas altas que se ergueram no céu nevado mais pareciam velas gigantes. Malina conseguia ouvir o comboio a aproximar-se cada vez mais. De repente, ei-lo a sair do túnel, envolto em grossas nuvens de fumo.

Foi então que o maquinista viu a fogueira e a lanterna. Puxou imediatamente pelo travão de emergência e desligou a locomotiva. Ouviu-se o som estridente do apito. O enorme comboio tremeu, estremeceu e, lentamente, acabou por se imobilizar. Lá dentro, andava tudo aos tropeções. Os passageiros tombaram dos assentos e as bagagens caíram no chão. O caos instalou-se no vagão-restaurante: empregados, pratos, bolos e peixe viram-se, de repente, atirados ao ar.

Lá fora, rodeada pela neve, Malina permanecia imóvel, a segurar a lanterna acesa e a olhar para o enorme comboio arquejante. O maquinista e o revisor saltaram do comboio e foram ter com a menina.

— Olha, é a Malina! — exclamou o maquinista.

— Há uma enorme queda de rochas em frente do túnel grande e eu tinha de vos avisar — disse Malina.

Os dois homens entreolharam-se com admiração. Em breve, todos no comboio sabiam da queda de rochas e de como a menina os tinha salvado. Alguém disse:

— A pobrezinha deve estar cheia de frio, ali no meio da neve.

E logo Malina foi conduzida ao vagão-restaurante, que estava bem quentinho e cheio de rostos que a fitavam. Percebeu que as pessoas falavam entre si e, de repente, viu-se rodeada de presentes! À entrada da carruagem, o pai observava-a. Vassil segurava nas mãos um cordeirinho branco como neve, com manchinhas negras atrás das orelhas. “Que magnífico presente de Natal!” pensou Malina, correndo para o pai.

— Anda, pai, vamos para casa — pediu. — A Bella deve estar a pensar no que nos terá acontecido.

O maquinista esperava-os lá fora com uma bela árvore de Natal, que tinha ido à floresta cortar para eles. Agora, Malina e o pai já podiam celebrar o Natal como queriam.

Sabem porque conheço esta história?

É que, há muitos anos, quando era criança, passei um Natal nessa mesma estação de comboio, com a minha tia Malina e o meu avô Vassil…

Ivan Gantschev
The Christmas Train
Harmondsworth, Viking Kestrel, 1987
(tradução e adaptação)

Anúncios

One thought on “O comboio de Natal

  1. Bela história! Eu gosto sempre de histórias para crianças. Quando era mais novo lia muitos livros para crianças, principalmente da Condessa de Segur!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s