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I
Na solidão
de um tempo
que os homens ignoram
uma Criança espera.
Na espiral dos desejos vãos
uma Criança observa
o escoar das horas.
Frágil.
A sapiência humana despreza-a.
O tropel das paixões abafa-lhe a voz.
Na miragem do ter
a Verdade desvanece-se.
A intolerância e a ambição
semeiam a cegueira.
Surda
a canção da infância.
II
Menino-Saudade…
Para onde foi
o teu riso confiante
o teu olhar de transparência?
A mágoa de perder-te
infante
nos caminhos do tempo
e da ausência!
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