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	<title>Preparando o Natal</title>
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		<title>Preparando o Natal</title>
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		<title>A árvore dos grous</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Oct 2011 10:58:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pnatal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Árvore de Natal]]></category>

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		<description><![CDATA[A árvore dos grous* Quando ainda não era suficientemente crescido para usar calças, a minha mãe tinha sempre medo de que eu me afogasse no lago que ficava à beira de casa. Estava constantemente a dizer-me que não fosse brincar para lá, mas eu não fazia caso, porque nele havia peixes de cores deslumbrantes. A [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=862&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;"><strong>A árvore dos grous*</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Quando ainda não era suficientemente crescido para usar calças, a minha mãe tinha sempre medo de que eu me afogasse no lago que ficava à beira de casa. Estava constantemente a dizer-me que não fosse brincar para lá, mas eu não fazia caso, porque nele havia peixes de cores deslumbrantes.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">A última vez que fui para o lago era um dia triste de Inverno, demasiado frio para os peixes se mostrarem. Nunca saíram debaixo das pedras e o que eu arranjei foi uma grande constipação. A minha mãe ia, de certeza ficar zangada comigo e adivinhar logo como é que eu tinha molhado as luvas. Mas talvez ficasse feliz por me ver.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Mãe, já cheguei — gritei eu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Não houve resposta.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Costumava vir sempre à porta receber-me. Voltei a chamar, e por fim respondeu. A voz parecia vir de muito longe. Ouviu-me, mas não veio ter comigo. <em>Deve estar doente</em>, pensei. Encontrei-a na sala a fazer dobragens em papel. Limitou-se a menear a cabeça, mal olhando para mim. Mas havia à minha espera duas fatias do meu bolo preferido, o que me reconfortou um pouco.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Porque estás a fazer grous de papel? — perguntei eu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Porque quero realizar um grande desejo — respondeu, sem levantar os olhos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Vais dobrar mil pássaros para o teu desejo se realizar?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Nem que seja dois mil… — estendeu os braços e passou-me a mão fria pelo rosto. — Tens a cara a arder!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Franziu o sobrolho e olhou para mim em silêncio. Baixei a cabeça e não me atrevi a falar. Ela sabia… Sempre que a minha mãe achava que eu estava constipado, dava-me um banho quente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Dez minutos, nem menos um segundo — disse ela.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">E nem as costas me limpou. Ouvi os chinelos a afastarem-se ao longo do corredor. Depois fechou-se uma porta. Não regressou para me fazer companhia. <em>É melhor pedir desculpa</em>,<em> </em>disse eu, a pensar em mim. Mas antes que pudesse dizer que estava arrependido, a minha mãe pôs-me em pijama!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Não tenho vontade de ir para a cama.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Tens de ficar muito agasalhado e quente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Toda a tarde?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Sim, toda a tarde.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Vais ler-me histórias?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Não há histórias, mas vou preparar-te um almoço quente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Eu bem sabia o que aquilo queria dizer. Papas de arroz. Papas de arroz são só para quem está doente. E foi o que eu tive, com uma ameixa de conserva de vinagre e umas rodelas de cenoura. Comi tudo sozinho e bebi um chá quente, pela chávena grande do meu pai. Depois, meti-me na cama, e fiquei à espera, à espera que a minha mãe viesse com uma maçã e me lesse uma história. Mas a porta não se abriu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Mãe! — acabei por gritar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Não respondeu. Após um longo momento, ouvi um ruído vindo do jardim. Talvez o velho jardineiro tivesse vindo podar mais uma vez as nossas árvores. Levantei-me e abri a janela. Lá fora, nevava. E a minha mãe cavava em redor de uma pequena árvore.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— O que estás a fazer? — gritei eu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Ela parou e olhou para mim.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Fecha imediatamente essa janela e volta para a cama!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Fechei logo a janela e fui para a cama. <em>Hoje está mesmo zangada</em>, pensei eu. <em>Mas porque andará a cavar debaixo de neve? Terá ficado aborrecida comigo?</em> Não sabia o que pensar. Começava a adormecer quando ela entrou. Trazia uma árvore num vaso azul. Era o pinheirinho que os meus pais tinham plantado quando nasci, para que eu vivesse muitos anos, tal como a árvore.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— O que estás a fazer com a minha árvore? — perguntei eu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Já vais ver — respondeu ela, ao colocar o vaso no chão. — Sabes que dia é hoje?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Hum&#8230; Falta uma semana para a passagem de Ano.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Exactamente — disse a sorrir!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Depois, foi à sala buscar os grous prateados e alguns apetrechos de costura. Por fim, sentou-se. Passou um fio por um dos pássaros e pendurou-o na árvore.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Hoje portei-me o dia todo de uma forma um tanto esquisita — disse ela.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Eu ia começar a falar, mas interrompeu-me.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Se prometeres ficar na cama, digo-te porquê.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Prometo — disse eu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Como sabes, muito antes de vir para aqui, onde encontrei o teu pai, nasci e vivi num país muito distante.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Acenei que sim com a cabeça.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Na Califórnia — respondi.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Lá, hoje não é um dia como os outros. Se estivesses na Califórnia, verias, por todo o lado, árvores como esta, enfeitadas com luzes cintilantes e bolinhas de ouro e prata. E debaixo de cada árvore presentes que as pessoas oferecem aos amigos e àqueles que amam.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Eu gostaria de ter um papagaio samurai — disse eu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Damos e recebemos, filho. É um dia de amor e de paz. Os desconhecidos sorriem uns para os outros. Os inimigos fazem uma trégua. Precisamos de mais dias como este!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">E pendurou na árvore o último pássaro.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Que lindo! — gritei eu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Ainda não é tudo — disse.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">E foi à cozinha buscar velas, que prendeu aos ramos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Vais queimar a minha árvore? — perguntei eu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">A minha mãe riu-se.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Só as velas, e apenas por um instante. Amanhã voltamos a plantar a tua árvore.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Quero acendê-las! Posso, mãe? Posso?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Sim, mas despacha-te.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">A minha mãe deixou-me riscar os fósforos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">E quando acabámos de acender as velas, ela ficou em silêncio.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Estava a recordar. Via uma outra árvore, num país longínquo onde tinha sido criança como eu. Pegou em mim e sentou-me nos joelhos. Os grous oscilavam lentamente e brilhavam à luz das velas. <em>Não pode haver uma árvore mais linda do que a minha</em>, pensei. <em>Nem mesmo lá, onde a minha mãe nasceu</em>.<em></em></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Que presente gostavas de receber? — perguntei.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Serenidade e harmonia — respondeu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Não! Para eu te dar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Oh, uma coisa muito especial… talvez uma promessa.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Já prometi que ficava na cama.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Outra, então.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Está bem.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Dá-me a tua palavra que nunca mais voltas ao lago.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Prometi.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Dormia a sono solto quando o meu pai chegou!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Na manhã do dia seguinte, saltei da cama porque um feroz guerreiro me olhava fixamente. Mas não passava de um papagaio de papel. Um papagaio! O que eu sempre desejara!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">E depois, por detrás, vi a árvore, a minha árvore. De repente, lembrei-me da tarde do dia anterior e daquilo que a minha mãe me tinha contado.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Obrigado, mãe! Obrigado, pai! — e corri lá para fora com a minha prenda.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Estava tudo coberto de neve.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Vais ter dias melhores — disse a minha mãe. — Dias com vento e sem neve.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Há neve que chegue para fazer um boneco! — disse o meu pai. — Anda, vamos fazer um.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">E o nosso boneco de neve daquele dia derreteu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Já se passaram muitos anos. Mas nunca esquecerei aquele dia de harmonia e de serenidade. O meu primeiro Natal.</span></p>
<p align="right"><span style="color:#003366;"> </span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#003366;">Allen Say</span><br />
<span style="color:#003366;"><em>L’arbre aux oiseaux</em></span><br />
<span style="color:#003366;">Paris, l’école des loisirs, 1994</span><br />
<span style="color:#003366;">(Tradução e adaptação)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">* No Japão, a arte tradicional de dobrar papel chama-se <strong>origami</strong> (do japonês: oru, “dobrar”, e kami, “papel”). Criam-se representações de determinados seres ou objectos apenas com as dobras geométricas de uma folha, sem a cortar ou colar, e o pássaro mais célebre dá pelo nome de <strong>grou</strong>. Reza a lenda que, quando alguém consegue fazer 1000 grous de papel, o desejo de uma vida longa e feliz é sempre realizado!</span></p>
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		<title>A verdadeira história do Pai Natal</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Dec 2010 18:54:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pnatal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[contos infantis]]></category>
		<category><![CDATA[Crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias de Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias infantis]]></category>
		<category><![CDATA[Pai Natal]]></category>

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		<description><![CDATA[A verdadeira história do Pai Natal As ruas da cidade estão enfeitadas com iluminações coloridas. Há tantas luzinhas! Parece que todas as estrelas do céu caíram e ficaram presas nas janelas&#8230; O Gonçalo sonha&#8230; Enquanto olha pela vidraça para a neve branca e leve. Esta noite o Pai Natal vai passar! Vem então aninhar-se nos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=858&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong>A verdadeira história do Pai Natal</strong></p>
<p style="text-align:justify;">As ruas da cidade estão enfeitadas com iluminações coloridas. Há tantas luzinhas! Parece que todas as estrelas do céu caíram e ficaram presas nas janelas&#8230; O Gonçalo sonha&#8230; Enquanto olha pela vidraça para a neve branca e leve.</p>
<p style="text-align:justify;">Esta noite o Pai Natal vai passar!</p>
<p style="text-align:justify;">Vem então aninhar-se nos braços da sua mãe. Tem tantas coisas para lhe perguntar&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">— Mãe, onde mora o Pai Natal? O que é que ele faz durante todo o ano, enquanto espera pela época do Natal? E como é que ele me vai trazer os brinquedos que eu pedi?</p>
<p style="text-align:justify;">— Vá lá, tem calma, diz-lhe a mãe. Se quiseres levo-te ao país do Pai Natal! Vou contar-te a verdadeira história do pai Natal&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">O Pai Natal vive numa casinha muito pequena que fica no meio da neve e dos glaciares, longe, muito longe daqui. Está tão bem escondida entre os pinheiros, que ninguém consegue vê-la. É uma casinha muito quentinha e muito acolhedora porque o Pai Natal é muito sensível&#8230; Mas, nunca lá entrou ninguém! Ele é um velhinho bondoso, mas não gosta de curiosos&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">— Mãe, se eu pudesse espreitar pela janela, achas que conseguia ver o piano eléctrico que pedi?</p>
<p style="text-align:justify;">— Oh! não. Irias perturbar o Pai Natal: na sua oficina, diante da velha banca de trabalho, com as ferramentas, que continuam sempre novas, ele fabrica os brinquedos para todas as crianças do mundo. Ele aplaina, corta, martela, cola, pinta&#8230; Ah! Ele tem muito trabalho!…</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o Pai Natal acaba de olhar para o calendário&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">“Como? Hoje é dia 24 de Dezembro? Já?” Há um ano que ele trabalha, todos os dias, para que os brinquedos de todas as crianças do mundo estejam prontos. “Rápido, o meu cesto! Mas o meu casaco está cheio de pó e as minhas botas precisam de ser engraxadas&#8230; Ah! Ai Ai! Não tenho tempo&#8230;”</p>
<p style="text-align:justify;">Com uma escovadela, a poeira desaparece e o casaco fica novamente bem vermelho, a gola recupera a cor da neve e as botas brilham como um espelho.</p>
<p style="text-align:justify;">A porta abre-se ruidosamente com um golpe de um casco.</p>
<p style="text-align:justify;">“Temos fome!”, gritam “Stem” e “Schuss”, as duas renas do Pai Natal, as duas únicas renas do mundo que sabem falar.</p>
<p style="text-align:justify;">“Não me esqueci de vós! Tenham um pouco de paciência, as duas&#8230; Tenho de calçar as botas”, resmunga o Pai Natal.</p>
<p style="text-align:justify;">O Pai Natal tem bastante dificuldade em calçar as suas botas. Há um ano que não o fazia e os seus pés já não estavam habituados a um espaço tão estreito&#8230; Mas, por fim lá consegue! Lá vai ele ter de sair da sua casinha&#8230; ela é tão quentinha e tão acolhedora! E lá fora, naquele grande frio glacial, a neve é tão espessa! E ainda por cima é preciso levar aqueles embrulhos todos&#8230; Há tantos e o cabaz é tão pesado!</p>
<p style="text-align:justify;">— O que é um cabaz?, pergunta o Gonçalo.</p>
<p style="text-align:justify;">— É um grande cesto em vime onde o Pai Natal leva todos os brinquedos. Para caminhar, ele põe-no às costas. Vês como o cesto vai carregado!</p>
<p style="text-align:justify;">Apesar da neve espessa e do frio, “Stem” e “Schuss” estão radiantes: é noite de Natal! Elas vão ter a mais bela saída do ano. O Pai Natal prepara-as com todo o cuidado. E, enquanto as atrela, acaricia-as com suavidade. Depois, carrega o seu trenó mágico com embrulhos multicolores que nunca mais acabam! Será que já estão todos? “Não me posso esquecer de ninguém! Não poderemos voltar para trás, porque esta noite vamos estar muito longe!”, diz ele às suas renas.</p>
<p style="text-align:justify;">— Diz-me, mãe, ele vai passar por nossa casa?</p>
<p style="text-align:justify;">— Claro! O Pai Natal não se esquece de ninguém&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Chegou a hora da partida! O Pai Natal comanda as suas renas. “Juntas, juntinhas, voai, voai, minhas queridinhas!” E logo o trenó sobe em direcção às estrelas.</p>
<p style="text-align:justify;">Um último olhar para a sua pequena casinha, para verificar se as luzes estão apagadas, e aí vão eles pelo céu escuro&#8230; Ao longe, o trenó luminoso parece-se com uma estrela cadente que tilinta como uma campainha: “Tlintlim! Tlintlim!”. O Pai Natal também está muito contente. Por isso canta a canção de Natal que ensinou a “Stem” e a “Schuss”, as duas únicas renas do mundo que sabem cantar. É uma canção tão bonita que embala a Lua e afasta as nuvens&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">— Oh! mãe, parece que estou a ouvir&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de uma viagem muito, muito longa, o trenó chega à cidade adormecida e fica a pairar por cima dela. De repente, pára, como por encanto, ao lado do telhado de uma grande casa. “Stem” e “Schuss” também sabem fazer alguns truques de magia! O Pai Natal olha para a casa silenciosa. É preciso que todas as luzes estejam apagadas! Então, carregando o seu cesto, ele entra na chaminé! Mas resmunga um pouco&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">“Ui! Ou a minha barriga está muito grande, ou este ano as chaminés estão demasiado estreitas! Vamos lá a uma escorregadela por aqui abaixo!”</p>
<p style="text-align:justify;">— E eu escondia-me e ficava muito quieto a ver o Pai Natal, diz o Gonçalo!</p>
<p style="text-align:justify;">— Oh não! Ouvi dizer que ele não distribui brinquedos aos meninos que não estão a dormir&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Está bem escuro dentro de uma chaminé! Felizmente o pinheiro tem muitas luzinhas acesas. Senão como é que o Pai Natal descobriria o caminho?</p>
<p style="text-align:justify;">“Ora vejamos! Não me posso enganar. A Carolina pediu-me uma casinha de bonecas e o Paulo um robô. Hum!&#8230; E a Camila, a bebé da casa, já não me lembro&#8230; Ora vamos lá a ver a carta com os pedidos&#8230; É isso: um ursinho de peluche! E ainda um osso com música para Piloto, o cãozinho&#8230;” E assim, durante toda a noite, o Pai Natal passa pelas casas de todas as crianças do mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Sabias que há crianças que põem duas cenouras junto à chaminé para “Stem” e para “Schuss”, as renas do Pai Natal?</p>
<p style="text-align:justify;">O Pai Natal terminou a sua viagem. “Adeus, meninos e meninas! O dia está a começar: temos de voltar para casa! “Juntas, juntinhas, voai, voai, minhas querídínhas!” E o trenó do Pai Natal eleva-se no ar com suavidade. Atrás dele, uma grande nuvem cor-de-rosa esconde-o até a cidade ficar bem longe. As crianças estão quase a acordar e o Pai Natal não se quer mostrar. Ele ainda tem uma longa viagem a fazer até à sua pequena casinha, longe, longe, muito longe daqui.</p>
<p style="text-align:justify;">— Como eu gostaria de andar naquele trenó, diz o Gonçalo, a sonhar&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Depois da sua longa, longa viagem de regresso, o Pai Natal chega finalmente a casa. Deixa-se escorregar com prazer sobre a poltrona. Está tão cansado que nem descalçou uma das botas&#8230; Mas sorri, muito feliz. Ele sonha com a alegria de todas as crianças do mundo que, agora, rasgam os papéis dos embrulhos para descobrirem os seus brinquedos!</p>
<p style="text-align:justify;">“Acho que não me esqueci de ninguém&#8230;”</p>
<p style="text-align:justify;">“Stem” e “Schuss” estão um bocadinho tristes. Elas olham para o cesto vazio com alguma pena&#8230; Mas também estão muito orgulhosas por terem galopado tão bem por entre as estrelas. E que elas conhecem perfeitamente todos os caminhos do céu&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">— Mãe, será que eu posso pôr duas cenouras perto da chaminé?, pergunta o Gonçalo a suspirar.</p>
<p style="text-align:justify;">Chegou a noite de Natal&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">O Gonçalo pôs os seus sapatos junto à chaminé e deixou uma pequena vela acesa perto do pinheiro. O Pai Natal precisa de luz para ler a carta com os seus pedidos&#8230; Para que não se esqueça de nada!</p>
<p style="text-align:justify;">Querido Pai Natal,</p>
<p style="text-align:justify;">Gostaria de ter uma bicicleta de montanha para subir e descer as colinas, e aquele livro que vi na biblioteca, e um piano, e uma caixa confortável para que o meu ratinho branco fique bem quentinho quando chove.</p>
<p style="text-align:justify;">Obrigado, Pai Natal!</p>
<p style="text-align:justify;">Gonçalo.</p>
<p style="text-align:justify;">O Gonçalo sonha&#8230; Que história! E como esta é uma história verdadeira, deve ser um verdadeiro Pai Natal&#8230;</p>
<p style="text-align:right;">Colette Seigue; Téo Puebla<br />
<em>A verdadeira história do Pai Natal </em><br />
Porto, Porto Editora, 1995<br />
Adaptado</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/preparandonatal.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/preparandonatal.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/preparandonatal.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/preparandonatal.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/preparandonatal.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/preparandonatal.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/preparandonatal.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/preparandonatal.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/preparandonatal.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/preparandonatal.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/preparandonatal.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/preparandonatal.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/preparandonatal.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/preparandonatal.wordpress.com/858/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=858&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Eu sei tudo sobre o Pai Natal</title>
		<link>http://preparandonatal.wordpress.com/2009/12/07/eu-sei-tudo-sobre-o-pai-natal/</link>
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		<pubDate>Mon, 07 Dec 2009 00:38:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pnatal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Natal]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu sei tudo sobre o Pai Natal Os crescidos dizem que o Pai Natal não existe. Mas eu não acredito neles. Então se o Pai Natal não existe, quem é que traz os presentes todos os anos? Os crescidos dizem que ninguém consegue descer pela chaminé. Sobretudo com um saco tão grande às costas. Mas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=851&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Eu sei tudo sobre o Pai Natal</h3>
<p>Os crescidos dizem<br />
que o Pai Natal não existe.<br />
Mas eu não acredito neles.<br />
Então se o Pai Natal não existe,<br />
quem é que traz os presentes todos os anos?</p>
<p>Os crescidos dizem<br />
que ninguém consegue descer pela chaminé. Sobretudo com um saco tão grande às costas.<br />
Mas eu sei que é possível.<span id="more-851"></span><br />
O mais difícil é subir.</p>
<p>Os crescidos dizem<br />
que o Pai Natal não tem tempo<br />
para ler as cartas de todos os meninos.<br />
Dizem que são tantas que nem se consegue contá-las.<br />
Mas eu sei que ele as lê,<br />
porque nunca se engana nos presentes.</p>
<p>Os crescidos dizem<br />
que os trenós não podem voar pelos céus, nem aterram nos telhados das casas.<br />
Mas eu digo que eles estão enganados,<br />
porque são as renas que voam e não os trenós.</p>
<p>Os crescidos dizem<br />
que o Pai Natal não pode estar em todas as lojas ao mesmo tempo.<br />
Mas eu acho que isso é um disparate,<br />
porque toda a gente sabe<br />
que os Pais Natais das lojas são a fingir!</p>
<p>Os crescidos dizem<br />
que o Pai Natal, se existisse,<br />
nunca poderia entrar nas casas que não têm chaminé.<br />
Mas eu acho que o importante não é a chaminé.<br />
O que importa é a árvore de Natal.</p>
<p>Os crescidos dizem<br />
que o Pai Natal nunca teria tempo<br />
para embrulhar os presentes de todos os meninos.<br />
Mas eu tenho a certeza<br />
de que a Mãe Natal e os duendes lhe dão uma ajuda.</p>
<p>Os crescidos dizem<br />
que é muito estranho<br />
o Pai Natal nunca envelhecer.<br />
Mas eu sei a verdade.<br />
Ele envelhece mas, como tem barba e cabelos brancos, não se nota.</p>
<p>Os crescidos dizem<br />
que, se o Pai Natal entrasse mesmo nas casas, já alguém o teria visto.<br />
Mas um dia eu fiquei à espera dele, escondido debaixo dos cobertores.<br />
Ouvi os seus passos, mas tive medo de ir ver.</p>
<p>Os crescidos dizem<br />
que o Pai Natal nunca aparece. E que isso é só uma história que os pais contam aos filhos.<br />
Mas eu acho que eles não estão a pensar muito bem.<br />
Se não é ele, quem é que leva as cenouras<br />
que eu lhe deixo ao pé da árvore de Natal para ele dar às renas?</p>
<p>Os crescidos dizem<br />
que, ao passar pelos países quentes, que o Pai Natal teria demasiado calor com o seu casaco vermelho.<br />
Mas eu acho que eles não têm razão,<br />
porque à noite, no céu, faz sempre um bocadinho de frio.</p>
<p>Os crescidos dizem<br />
que só os meninos pequenos acreditam no Pai Natal.<br />
Mas eu sei que eles estão enganados.</p>
<p>Se o Pai Natal não existe,<br />
por que razão estão sempre a falar dele?</p>
<p>Nathalie Delebarre<br />
<em>Eu sei tudo sobre o Pai Natal</em><br />
Lisboa, Editorial Presença, 2008</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/preparandonatal.wordpress.com/851/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/preparandonatal.wordpress.com/851/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/preparandonatal.wordpress.com/851/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/preparandonatal.wordpress.com/851/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/preparandonatal.wordpress.com/851/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/preparandonatal.wordpress.com/851/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/preparandonatal.wordpress.com/851/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/preparandonatal.wordpress.com/851/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/preparandonatal.wordpress.com/851/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/preparandonatal.wordpress.com/851/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/preparandonatal.wordpress.com/851/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/preparandonatal.wordpress.com/851/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/preparandonatal.wordpress.com/851/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/preparandonatal.wordpress.com/851/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=851&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Uma história infeliz &#8211; Margret Rettich</title>
		<link>http://preparandonatal.wordpress.com/2009/12/06/uma-ma-historia-margret-rettich/</link>
		<comments>http://preparandonatal.wordpress.com/2009/12/06/uma-ma-historia-margret-rettich/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 21:15:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pnatal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Natal]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma história infeliz Margret Rettich Esta não é uma história infeliz pelo facto de a mãe e a tia Malvina não gostarem muito uma da outra. É verdade que a tia Malvina é um tanto complicada e fez a vida difícil à minha mãe, mas ela já esqueceu isso há muito tempo. Esta também não é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=842&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;">Uma história infeliz</h3>
<p style="text-align:center;">Margret Rettich</p>
<p style="text-align:justify;">Esta não é uma história infeliz pelo facto de a mãe e a tia Malvina não gostarem muito uma da outra. É verdade que a tia Malvina é um tanto complicada e fez a vida difícil à minha mãe, mas ela já esqueceu isso há muito tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">Esta também não é uma história infeliz por o meu pai ter, todos os anos, dificuldade de saber que prendas dar. Acontece a muitos homens, e a minha mãe compreende. É sempre ela que compra as prendas para toda a família e chega mesmo a escolher a da tia Malvina. O meu pai fica todo contente.</p>
<p style="text-align:justify;">Não, esta é uma história infeliz porque o meu pai, pouco antes do Natal, voltou a ir visitar a tia Malvina, e porque ao mesmo tempo, apareceu o carro para recolher lixo e porque a minha mãe… Mas comecemos do princípio.<span id="more-842"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Acontece que a tia Malvina é doida pelo meu pai. Quando ele andava na universidade, morou em casa dela, que, já na altura, o estragava com mimos. Por isso, não era de se esperar grande coisa quando ele, certo dia, lhe apresentou a namorada. A tia Malvina ficou terrivelmente ciumenta. Escutava à porta, espreitava pelo buraco da fechadura e proibiu visitas depois das dez da noite. E disse-lhe que tivesse cuidado com aquela mulher! Felizmente o meu pai não se deixou influenciar e casou com a minha mãe. Mas ainda hoje é preferível que ele vá sozinho visitar a tia Malvina.</p>
<p style="text-align:justify;">Passa-se tudo como antigamente. A tia faz os pratos preferidos do meu pai, vai buscar as fotografias antigas e fala com ele sobre os velhos tempos. E nunca se esquece de um mimo à despedida: às vezes presenteia-o com uma garrafa de licor, embora o meu pai não aprecia, mas quase sempre oferece-lhe doces. Tem pena dele, porque a minha mãe o obriga a fazer dieta.</p>
<p style="text-align:justify;">Numa altura qualquer, pelo Outono, a tia Malvina adoeceu. Na visita seguinte, o pai assustou-se ao vê-la tão envelhecida e mirrada. À despedida, ela deu-lhe um pacotinho minúsculo. Estava embrulhado em papel de cor vermelha e tinha um laço dourado à volta.</p>
<p style="text-align:justify;">— Desta vez, isto não é para ti — disse. — É para a tua mulher.</p>
<p style="text-align:justify;">Durante a viagem de regresso, o meu pai abanou o pacotinho junto ao ouvido. Dentro estava um objecto pequeno e duro que lhe fez lembrar que a tia Malvina não trazia, como de costume, o seu broche antigo e valioso.</p>
<p style="text-align:justify;">Na verdade, ele podia ter dado de imediato o pacotinho à minha mãe, mas faltavam poucas semanas para o Natal. Naquele ano, ia voltar a ficar em apuros sem saber o que lhe oferecer. Porque não dar-lhe nessa altura o embrulhinho da tia Malvina?</p>
<p style="text-align:justify;">Por isso, o pai precisava de um esconderijo, o que não era fácil. A mãe conhece cada canto da casa. Só a um quarto da cave é que raramente vai, por estar muito desarrumado.</p>
<p style="text-align:justify;">O pai tem lá a oficina dele e era lá também que se encontrava a cómoda velha e desengonçada onde guardava as ferramentas. Era o melhor esconderijo que conhecia. A cómoda tinha, nomeadamente, uma gaveta secreta. Bem, não era uma verdadeira gaveta secreta. Era um fundo duplo que o meu pai certa vez fizera. Fora preciso, porque uma família de ratos tinha roído um buraco na cómoda e construído um ninho com o pano do óleo.</p>
<p style="text-align:justify;">O meu pai foi portanto à cave e meteu o pacotinho entre os dois fundos. De certeza que a minha mãe não iria encontrá-lo. Satisfeito, voltou em seguida para cima, já o jantar estava na mesa, transmitiu os cumprimentos da tia Malvina e serviu-se. Até aqui, é uma história normal. Agora é que a história vai piorar.</p>
<p style="text-align:justify;">Tinham passado algumas semanas e já o Natal estava presente em todo o lado. Nas portas, havia coroas penduradas, velas eléctricas nos jardins e, nas janelas, feixes de luz. A minha mãe fizera toda a espécie de bolachas e deu algumas ao meu pai, que estava de saída para a visita de Advento a casa da tia Malvina.</p>
<p style="text-align:justify;">Desta vez, eu acompanhava-o, embora habitualmente me esquivasse, como a minha mãe. No ano anterior, a tia tinha-me dado uma nota, e esperava o mesmo este ano.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de termos bebido chá com a tia, de termos provado as bolachas da mãe e olhado para a chama da vela, o meu pai recebeu uma garrafa de licor à despedida, e eu não recebi uma, mas duas notas. Em seguida, a tia deu a cada um de nós dois beijos e ficámos livres para irmos para casa.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao dobrarmos a esquina, já perto de casa, uma carrinha cheia até cima barrou-nos a entrada e o meu pai buzinou, zangado. A carrinha pôs-se em andamento e desapareceu. Embora já fosse escuro, eu tinha visto que, por entre outras coisas velhas, também ia a cómoda velha do meu pai. Mas quando lho disse, limitou-se a responder:</p>
<p style="text-align:justify;">— Oh, viste mal.</p>
<p style="text-align:justify;">Infelizmente, eu não tinha visto mal, como mais tarde constatei. A minha mãe estava precisamente em frente da casa a alinhar as cadeiras velhas de jardim, um saco cheio de aparelhos domésticos, um cortador de erva estragado e a pá da neve sem cabo contra a sebe, enquanto resmungava:</p>
<p style="text-align:justify;">— Estes indivíduos desarrumam tudo. Remexem, remexem e só levam o que querem. O resto, deixam ficar.</p>
<p style="text-align:justify;">— A cómoda do pai também lá ia? — perguntei.</p>
<p style="text-align:justify;">— Claro — disse a mãe, dando um pontapé à pá. — Aquela horrível coisa velha tinha de sair cá de casa.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois segredou-me ao ouvido.</p>
<p style="text-align:justify;">— Pelo Natal vou dar ao pai uma prateleira nova para as ferramentas. Mas não lhe digas nada!</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto a mãe se dirigia para casa, o pai saiu da garagem.</p>
<p style="text-align:justify;">— O que é que disseste? Que a minha cómoda também foi levada? Quero ver isso! — E desceu à cave.</p>
<p style="text-align:justify;">No instante seguinte estava de volta.</p>
<p style="text-align:justify;">— Anda, Lucas, vem comigo! — gritou aflito. Correu para a garagem e meteu-se no carro. Ainda nem tinha acabado de entrar, e já o meu pai saía em marcha-atrás para a rua. Quase atropelava a minha mãe, que estava a colocar uma mala para os lixeiros levarem. Ainda nos gritou qualquer coisa que não percebemos e virámos a esquina. O meu pai seguia ao longo da rua e espreitava para as ruas laterais, repetindo constantemente:</p>
<p style="text-align:justify;">— Temos de encontrar a carrinha. Temos de reaver a nossa cómoda!</p>
<p style="text-align:justify;">— Deixa lá a cómoda velha — disse eu. — Qualquer dia acabava por se portir toda.</p>
<p style="text-align:justify;">O pai não respondeu. Continuou obstinadamente a percorrer uma rua após a outra. Finalmente, quase à saída da cidade, encontrou a carrinha. Estava tão carregada, que seguia muito devagar para não perder nenhuma da sua carga vacilante. O meu pai quase lhe bateu, quando a carrinha parou de repente. Três homens desceram e dirigiram-se a um monte de lixo. Não repararam que o meu pai também saíra do carro e tentava puxar a cómoda para fora da carrinha. Com a minha ajuda, estava prestes a conseguir, quando um dos três homens o descobriu. Vociferou numa língua estrangeira, depois os três homens saltaram para a carrinha e foram-se embora.</p>
<p style="text-align:justify;">O pai empurrou-me para dentro do carro e seguiu atrás. Começara uma louca perseguição que nos levou para fora da cidade. Tanto os homens com a carrinha como o meu pai faziam imensas curvas.</p>
<p style="text-align:justify;">— Pai, porque é que queres a toda a força reaver a cómoda velha? — perguntei, cheio de medo.</p>
<p style="text-align:justify;">— Eu não quero nada — respondeu.</p>
<p style="text-align:justify;">E não pôde dizer mais, porque a carrinha saíra da estrada e seguia agora por um caminho no bosque. O pai seguiu atrás.</p>
<p style="text-align:justify;">Desta vez, os homens já o esperavam. De pernas abertas em frente dos faróis, pareciam três sombras negras. O pai saiu do carro e dirigiu-se-lhes com as mãos ao alto. Como num filme, pensei. Só lhe faltava acenar com um lenço branco.</p>
<p style="text-align:justify;">— Por favor, nada de lutas — disse-lhes.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois, verificou-se que dois dos homens falavam bastante bem o alemão e o meu pai negociou com eles. Disse que queria comprar-lhes a cómoda velha. Desconfiados, recusaram e ofereceram-lhe algumas das outras velharias que tinham. Mas o pai não quis. Deu-lhes primeiro uma, depois duas e por fim três notas gordas. Finalmente concordaram. Descarregaram a cómoda, subiram para a carrinha e desapareceram.</p>
<p style="text-align:justify;">— Porque é que só queres a cómoda velha? — perguntei pela terceira vez, e quase lhe ia revelando que ele ia receber uma prateleira nova pelo Natal.</p>
<p style="text-align:justify;">— Explico-te mais tarde, Lucas — disse o pai. — Agarra mas é aí.</p>
<p style="text-align:justify;">Arrastámos a cómoda para o carro e metemo-la na bagageira. Mas ficava tão de fora, que o pai teve de atar a porta com a corda do reboque. Em seguida, fizemo-nos à estrada. Atrás, a cómoda abanava e a porta da bagageira batia para cima e para baixo.</p>
<p style="text-align:justify;">— Ainda perdemos a cómoda pelo caminho — disse eu.</p>
<p style="text-align:justify;">O pai limitou-se a resmungar, pois tinha encontrado um local onde parar na berma da estrada. Parou e saiu do carro. Tirou com esforço a cómoda da mala e, iluminado pelos faróis, começou a destruí-la com o macaco.</p>
<p style="text-align:justify;">— Pai, o que é isso? O que estás a fazer? — gritei, perplexo.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o meu pai não teve tempo de responder, pois acabava de parar atrás de nós um autocarro cheio. O motorista buzinou com toda a força mas o meu pai não se mexeu. Com um pontapé atirou as gavetas para o lado e partiu as partes laterais da cómoda.</p>
<p style="text-align:justify;">Começaram a sair pessoas do autocarro, que queriam saber o que se estava a passar e porque motivo não andavam. O motorista buzinou novamente e depois pegou no telemóvel.</p>
<p style="text-align:justify;">— Estamos numa paragem — disse eu, puxando o meu pai pela manga. — Temos de sair daqui.</p>
<p style="text-align:justify;">— Já vou – respondeu o pai, continuando a bater na cómoda com o macaco, e a fazer estalar tudo.</p>
<p style="text-align:justify;">Atirou com os restos partidos da cómoda para uns arbustos e vi debruçar-se, pegar numa caixinha vermelha e metê-la no bolso. Fez um sinal com a mão e ia meter-se no carro, mas infelizmente a polícia tinha entretanto chegado. Curiosas, as pessoas desceram do autocarro e rodearam o carro do meu pai.</p>
<p style="text-align:justify;">Um dos polícias afastou-as para o lado e disse:</p>
<p style="text-align:justify;">— Está a ser despejado aqui lixo às escondidas!</p>
<p style="text-align:justify;">— Isto obriga a uma participação e a uma multa — disse o outro policial.</p>
<p style="text-align:justify;">O pai estava perplexo e não abria a boca. Aquilo continuava a ser um enigma para mim. Se soubesse o que o comportamento esquisito do meu pai significava, provavelmente tê-lo-ia defendido, mas não foi necessário, porque o primeiro polícia disse ao segundo:</p>
<p style="text-align:justify;">— Nesta época de Natal vamos fechar os olhos e desistir da participação.</p>
<p style="text-align:justify;">O segundo polícia acenou com a cabeça e respondeu:</p>
<p style="text-align:justify;">— Mas a multa, isso vai ter de ser. Esta falta não fica impune.</p>
<p style="text-align:justify;">O meu pai teve de voltar a meter a cómoda na mala do carro com a minha ajuda. Foi mais fácil do que antes, porque agora era apenas composta por destroços. Depois do autocarro partir, um dos agentes entrou no nosso carro. O segundo seguiu atrás no carro da polícia.</p>
<p style="text-align:justify;">Ainda tivemos de andar bastante até ao depósito do lixo. Estava a fechar naquele momento, e o pai teve de pagar uma taxa extra porque estávamos fora das horas de expediente. Depois teve ainda de pagar uma boa soma para se ver livre da cómoda velha. Em seguida, tivemos de ir os dois ao posto da polícia, onde o meu pai teve de voltar a puxar da carteira e pagar. Levou ainda uma longa descompostura, até que, por fim, o deixaram sair. Cá fora quis saber, de uma vez por todas, porque é que o pai tinha arranjado tudo aquilo.</p>
<p style="text-align:justify;">— Eu explico-te ali no quiosque em frente — disse o pai. — Na verdade, estou sem dinheiro, só tenho uns trocos, mas dá para duas limonadas.</p>
<p style="text-align:justify;">Infelizmente o homem do quiosque era tão falador que fiquei outra vez sem saber o que queria. Entretanto, comecei a achar bastante mal o que o pai se dera ao luxo de fazer. Primeiro, a arrojada perseguição, depois, a atitude de regatear a cómoda velha para acabar por destruí-la. E finalmente a polícia. O mais estranho de tudo aquilo é que o meu pai parecia não estar a dar-lhe qualquer importância.</p>
<p style="text-align:justify;">— Não faças essa cara — disse, ao prosseguirmos caminho. — Agora já não há nada que possa acontecer-nos.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas infelizmente aconteceu. O motor começou de repente aos soluços e depois foi a baixo. A gasolina tinha acabado.</p>
<p style="text-align:justify;">— Foi a cómoda velha que nos pregou estas partidas todas — resmunguei, quando seguíamos ao longo da estrada com o bidão vazio. — Diz-me lá porquê isto tudo!</p>
<p style="text-align:justify;">A gasolineira mais próxima encontrava-se bastante longe. O pai tinha tempo de sobra para me explicar tudo. Mas só disse:</p>
<p style="text-align:justify;">— É uma história infeliz, mas agora já não pode piorar.</p>
<p style="text-align:justify;">Qual quê? Depois de ter enchido o bidão, viu-se obrigado a confessar ao homem que o atendeu que não tinha dinheiro. Prometeu a pés juntos voltar logo na manhã seguinte e pagar, mas o homem não foi na conversa. Estivemos a um triz de seremos mandados embora de bidão vazio, quando, por sorte, me lembrei das duas notas que a tia Malvina me tinha dado.</p>
<p style="text-align:justify;">Entretanto, em casa, a mãe estava preocupadíssima. Não fazia ideia porque é que o pai e eu tínhamos estado tão pouco tempo em casa e desaparecido logo de seguida. Estava sentada à janela à espera. As velas já tinham ardido, o chá estava frio e não havia muitas bolachas de sobra.</p>
<p style="text-align:justify;">— O que é que se passa? Onde é que se meteram? — perguntou, preocupada, assim que finalmente aparecemos.</p>
<p style="text-align:justify;">O pai estava tão cansado, que não se lembrou de nenhuma desculpa. Como o Natal estava próximo, resolveu dizer a verdade e contou à mãe a história toda. Depois tirou do bolso do casaco o pacotinho da tia Malvina e entregou-lho. A mãe ficou sem palavras. Numa mão segurava o maravilhoso broche antigo e com a outra limpava os olhos.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando se acalmou, disse:</p>
<p style="text-align:justify;">— Amanhã vou a casa da tia Malvina pedir-lhe que venha passar o Natal connosco. Vocês estão de acordo?</p>
<p style="text-align:justify;">O pai abraçou a mãe, enquanto eu “limpava” o resto das bolachas.</p>
<p style="text-align:right;"> Brita Groiß; Gudrun Likar<br />
<em>Weihnachten ganz Wunderbar: ein literarischer Adventskalender</em><br />
Wien, Ueberreuter, 2001</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/preparandonatal.wordpress.com/842/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/preparandonatal.wordpress.com/842/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/preparandonatal.wordpress.com/842/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/preparandonatal.wordpress.com/842/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/preparandonatal.wordpress.com/842/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/preparandonatal.wordpress.com/842/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/preparandonatal.wordpress.com/842/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/preparandonatal.wordpress.com/842/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/preparandonatal.wordpress.com/842/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/preparandonatal.wordpress.com/842/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/preparandonatal.wordpress.com/842/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/preparandonatal.wordpress.com/842/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/preparandonatal.wordpress.com/842/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/preparandonatal.wordpress.com/842/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=842&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Natal nas Trincheiras</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 00:07:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pnatal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Natal]]></category>

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		<description><![CDATA[Natal nas Trincheiras A única coisa que separava os dois exércitos, naquela noite fria de Dezembro de 1914, era um pedaço de terra lamacenta chamado Terra de Ninguém. De repente, um cântico rompeu o ar gelado, celebrando o Natal em alemão, e logo um outro se lhe seguiu, em inglês. Durante algum tempo, os inimigos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=822&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;">Natal nas Trincheiras</h3>
<p style="text-align:justify;">A única coisa que separava os dois exércitos, naquela noite fria de Dezembro de 1914, era um pedaço de terra lamacenta chamado Terra de Ninguém. De repente, um cântico rompeu o ar gelado, celebrando o Natal em alemão, e logo um outro se lhe seguiu, em inglês.<span id="more-822"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Durante algum tempo, os inimigos deixaram de se guerrear e comportaram-se como amigos. Estima-se que, nesta trégua de Natal não oficial, participaram cerca de cem mil soldados.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi um momento único na história da humanidade.</p>
<p style="text-align:justify;">Os presentes tinham sido abertos e o jantar acabara. Depois de um longo passeio pelos campos cobertos de neve, o jovem Thomas aconchegou-se junto do avô e disse:</p>
<p style="text-align:justify;">— Avô, este Natal foi o meu preferido. E tu, tens algum Natal favorito?</p>
<p style="text-align:justify;">— Tenho, Thomas — respondeu o avô Francis. — Passei-o muito longe de casa, durante o primeiro Inverno da Grande Guerra.</p>
<p style="text-align:justify;">— Estiveste na guerra, avô? — perguntou a pequena Nora, subindo para o colo dele. — Foste um herói?</p>
<p style="text-align:justify;">O avô sorriu e sugeriu:</p>
<p style="text-align:justify;">— E se começássemos pelo princípio?</p>
<p style="text-align:justify;">As duas crianças aproximaram-se ainda mais dele.</p>
<p style="text-align:justify;">— Foi em 1914. Os meus companheiros e eu estávamos há já várias semanas no campo de batalha. Sentíamo-nos<br />
sozinhos e assustados, embora tentássemos ser corajosos. Tínhamos passado um mês longo e frio em trincheiras lamacentas, que eram, naquela altura, a nossa casa.</p>
<p style="text-align:justify;">Sabíamos que não haveria tréguas no combate e que passaríamos o Natal ali mesmo. Aquela véspera de Natal aconteceu numa noite igual à de hoje. Os céus estavam a clarear e a geada cobria a Terra de Ninguém, o campo que nos separava dos soldados alemães.</p>
<p style="text-align:justify;">E ali estávamos nós, diante das trincheiras inimigas, à espera… Aparte as bombas e as batalhas, a guerra consiste em esperar. Esperar para ver quem vai dar o próximo passo. Nessa noite, sentimos que iam ser os Alemães. E tínhamos razão. De repente, uma sentinela fez sinal a pedir silêncio e ficámos todos calados. Foi então que um som rasgou o frio da noite gelada.</p>
<p style="text-align:justify;">O som provinha do lado inimigo da Terra de Ninguém e um soldado inglês que sabia alemão disse tratar-se de um cântico de Natal. Em breve, todos os Alemães entoavam a mesma canção. Quando terminaram, decidimos responder-lhes com um cântico de Natal que todos conhecíamos.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois, os Alemães entoaram o “Noite Feliz”, ao qual nos juntámos, com a letra cantada em inglês. Foi como se a terra inteira entoasse o mesmo cântico… Nunca pensei que cantar fosse tão sagrado. De repente, a sentinela de vigia gritou:</p>
<p style="text-align:justify;">— Aproxima-se alguém!</p>
<p style="text-align:justify;">E, enquanto apontávamos as espingardas à escuridão de Dezembro, deparámos com algo de extraordinário. Uma figura vinha até nós através da Terra de Ninguém. Numa mão trazia uma bandeira branca, e na outra uma árvore de Natal cheia de velinhas. Era um gesto tão surpreendente e corajoso que não pude deixar de saltar da trincheira e de ir ter com aquele soldado.</p>
<p style="text-align:justify;">Fui o primeiro de muitos. Em breve, todos os soldados de ambos os lados se encontravam fora das trincheiras. Era tudo tão novo e estranho que, no início, estávamos nervosos. Passado pouco tempo, porém, trocávamos já pequenas lembranças – chocolates, conservas de carne, tudo o que pudéssemos partilhar. Quando mostrámos uns aos outros fotografias de casa e da família, deixámos de ser soldados e de ser inimigos. Éramos apenas filhos e pais, longe da família e de casa.</p>
<p style="text-align:justify;">Um dos nossos rapazes trouxe um acordeão e um dos deles começou a tocar violino. E acabámos por improvisar… um baile. Foi uma bela festa de Natal! Mas a alvorada em breve nos anunciou que tínhamos de regressar. Regressar às trincheiras, voltar a esperar. Pensar no que nos tinha acontecido e em qual seria o nosso próximo passo.</p>
<p style="text-align:justify;">Esta é minha recordação favorita de Natal. Hoje sou um homem diferente por causa do rapaz que fui naquela noite.</p>
<p style="text-align:justify;">O avô abraçou os netos com força.</p>
<p style="text-align:justify;">— Será que fui um herói? Penso que, naquela noite, todos fomos heróis.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">NOTA HISTÓRICA</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Embora este conto seja um relato ficcional, a trégua de Natal de 1914 foi um facto histórico, e teve lugar na linha de batalha entre a costa da Bélgica, a norte, e a fronteira da Suíça, a sul.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Quatro meses antes, no início da Grande Guerra, como a Primeira Guerra Mundial ficou conhecida, milhões de homens por toda a Europa tinham-se alistado em resposta aos apelos dos seus líderes. Muitos achavam que a guerra seria curta e que estaria terminada no Natal. Mas, quando o Inverno começou, milhares de soldados tinham já sido mortos ou feridos e a dura realidade do campo de batalha impôs-se.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Em Dezembro de 1914, as Forças Aliadas (Bélgica, França, e Inglaterra) estavam num impasse com os Alemães, cada um dos lados à espera de que o outro capitulasse. As tropas estavam protegidas por trincheiras cavadas à pressa. Estas valas estreitas, embora mais fundas do que a altura dos soldados, eram parca protecção para o frio invernal.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Entre os dois exércitos havia uma extensão de terreno árido chamada Terra de Ninguém, mais larga do que dois campos de futebol juntos. Nalguns sítios, porém, o intervalo entre as duas facções não excedia os 30 metros. Nestes locais, os inimigos estavam tão perto que conseguiam ouvir-se falar.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Assim tão perto, muito terão pensado no aspecto que teria o inimigo. Estariam satisfeitos por se encontrarem naqueles buracos húmidos, a lutar em nome do Kaiser ou do Rei, ou prefeririam estar em casa? À medida que se aproximava a véspera de Natal, muitos soldados devem ter pensado em casa e na paz. Alguns tinham recebido encomendas da família com ofertas festivas. As próprias famílias reais da Alemanha e da Inglaterra tinham enviado prendas para as suas tropas e a Alemanha tinha mesmo enviado árvores de Natal para os homens que combatiam na frente. </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Naquela noite, foram muitos os que quiseram parar de lutar, por breves horas que fosse. Alguns chegaram mesmo a fazer o relato desse evento em diários e cartas.</em></p>
<p style="text-align:right;">John McCutcheon; Henri Sørensen<br />
<em>Christmas in the trenches</em><br />
Atlanta, Peachtree Publishers, 2006<br />
(Tradução e adaptação)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/preparandonatal.wordpress.com/822/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/preparandonatal.wordpress.com/822/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/preparandonatal.wordpress.com/822/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/preparandonatal.wordpress.com/822/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/preparandonatal.wordpress.com/822/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/preparandonatal.wordpress.com/822/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/preparandonatal.wordpress.com/822/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/preparandonatal.wordpress.com/822/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/preparandonatal.wordpress.com/822/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/preparandonatal.wordpress.com/822/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/preparandonatal.wordpress.com/822/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/preparandonatal.wordpress.com/822/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/preparandonatal.wordpress.com/822/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/preparandonatal.wordpress.com/822/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=822&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O primeiro Natal do pardalito &#8211; A. Torrado</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 00:01:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pnatal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Natal]]></category>

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		<description><![CDATA[O primeiro Natal do pardalito Aqui há coisa de três semanas, um pardal do Rossio, daqueles que escolheram para poiso e morada os ramos das árvores que circundam a dita praça, começou assim a história que vamos contar: — Companheiros pardais, pardalitos e pardalões, escutem todos, a notícia é importante. Juntou-se a pardalada. Quem ali [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=826&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;">O primeiro Natal do pardalito</h3>
<p style="text-align:justify;">Aqui há coisa de três semanas, um pardal do Rossio, daqueles que escolheram para poiso e morada os ramos das árvores que circundam a dita praça, começou assim a história que vamos contar:</p>
<p style="text-align:justify;">— Companheiros pardais, pardalitos e pardalões, escutem todos, a notícia é importante.</p>
<p style="text-align:justify;">Juntou-se a pardalada. Quem ali passe todas as tardes, à hora da saída dos empregos, não deve estranhar o arruído que <span id="more-826"></span>vem das árvores despidas de folha, mas cheias, cheiinhas de passarinhos tagarelas. As pessoas andam na sua vida muito apressadas, e nem sequer dão conta da chilreada doida dos pardais:</p>
<p style="text-align:justify;">“Chega-te para lá! Aí sou eu”</p>
<p style="text-align:justify;">“Olha o pardalão a querer tomar-me o lugar&#8230;”.</p>
<p style="text-align:justify;">“Ai que ainda te dou uma bicada&#8230;”.</p>
<p style="text-align:justify;">“Não me provoques!”.</p>
<p style="text-align:justify;">“Toma que é para saberes”.</p>
<p style="text-align:justify;">“Deixa-me em paz”.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas voltemos à nossa história.</p>
<p style="text-align:justify;">Oiçamos o que o pardal tem para dizer:</p>
<p style="text-align:justify;">— Peço silêncio, se não calo-me — piava ele, tentando impor a ordem à assembleia.</p>
<p style="text-align:justify;">Demorou o seu tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">Os pardais são uns espalhafatosos e uns gralhadores incorrigíveis.</p>
<p style="text-align:justify;">— A notícia que vos trago importa a todos. Há bocadinho, estava eu poisado num ramo baixo, e ouvi uma conversa entre um cauteleiro e um engraxador. Sabem do que estavam a falar?</p>
<p style="text-align:justify;">— De futebol — arriscou um.</p>
<p style="text-align:justify;">— Nada disso. Estavam a falar da Lotaria do Natal, imaginem! Portanto, o Natal está à porta, meus amigos. Espero que saibam o que isto significa&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Os pardais mais jovens não sabiam, mas calcularam que devia ser coisa grave, porque os pardais velhos, mesmo os mais gaiteiros e risonhos, ficaram, subitamente, de bico caído. As expressões eram de alarme e desalento:</p>
<p style="text-align:justify;">— Temos de mudar de vida.</p>
<p style="text-align:justify;">— Que desconforto!</p>
<p style="text-align:justify;">— Deviam ter-nos avisado.</p>
<p style="text-align:justify;">— O tempo não está para grandes voos.</p>
<p style="text-align:justify;">E cada qual debandou para o seu ramo.</p>
<p style="text-align:justify;">Neste ponto da história, parece-nos indispensável ouvir a fala de um avô pardal para o seu neto que, tal como vocês,<br />
amigos leitores, não percebera patavina do sucedido.</p>
<p style="text-align:justify;">— Na quadra do Natal, que é uma grande festa dos homens — contava ele — multiplicam-se e crescem as luminárias por toda a parte. Nesta praça, então nem queiras saber! Fica tudo cheio de luzes e luzinhas de muitas cores, amarelas, azuis, vermelhas, verdes, que nos põem tontos. Onde os homens encontram um sítio para pendurar uma daquelas pêras de vidro que deita luz, penduram.</p>
<p style="text-align:justify;">— Deve ser bonito — observou o neto.</p>
<p style="text-align:justify;">— Bonito talvez seja, mas não para nós. Aparecem fios por toda a parte e, nos ramos das nossas árvores, estendem tantos, com as tais pêras penduradas, que ninguém se entende. Há dois anos, aproximei-me de uma dessas pêras, que se tinha partido, e apanhei um arrepio pelo corpo todo que julguei que me ficava de vez!</p>
<p style="text-align:justify;">— Então para onde vão os pardais passar o Natal? — perguntou o pardalito, atarantado.</p>
<p style="text-align:justify;">— Saltinho aqui, saltinho acolá, alguns escondem-se numas palmeiras, lá para cima, num sítio que os da cidade chamam Avenida. Outros conseguem chegar a um jardim, que me dizem ser muito tranquilo e saudável, um tal Jardim Botânico ou coisa parecida.</p>
<p style="text-align:justify;">— E nós, avô?</p>
<p style="text-align:justify;">— Nós ficamos. Podíamos ir para um telhado próximo, se não andassem por lá os gatos que têm olhos mais perigosos do que todas as luminárias juntas. Olha, naturalmente, vamos para um sítio sossegado que eu conheço, num buraco daquele edifício, ali, no cimo da praça. É um bocado desabrigado e pouco cómodo, mas vais poder dizer, daqui em diante, que dormiste no Teatro Nacional&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Assim que chegaram os electricistas com as escadas, os cabos e os fios, a pardalada sumiu-se&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Numa destas noites, o pardalito deixou o avô a dormir com a cabeça debaixo da asa, e foi dar uma voltinha pelos arredores do seu novo poiso. O Rossio silencioso e exuberantemente iluminado pareceu-lhe um jardim de sonho.</p>
<p style="text-align:justify;">— Tanta luz de tanta cor! — exclamou.</p>
<p style="text-align:justify;">Nesse momento, um avião sobrevoava a cidade, em direcção ao aeroporto. No escuro do céu só se distinguia as luzes vermelhas da cauda.</p>
<p style="text-align:justify;">— Olha, lá vão duas luzes a fugir&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">E dispunha-se a voar atrás delas, se o avô não tivesse acordado, entretanto.</p>
<p style="text-align:justify;">— Para onde ias? — perguntou-lhe ele.</p>
<p style="text-align:justify;">O pardalito explicou. Comentário do velho pardal:</p>
<p style="text-align:justify;">— Que patetice! Ainda tens muito que aprender, pequeno, até te transformares num pardalão sabido!</p>
<p style="text-align:justify;">É o que nós também achamos, ao cabo desta história.</p>
<p>António Torrado<br />
www.historiadodia.pt</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/preparandonatal.wordpress.com/826/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/preparandonatal.wordpress.com/826/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/preparandonatal.wordpress.com/826/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/preparandonatal.wordpress.com/826/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/preparandonatal.wordpress.com/826/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/preparandonatal.wordpress.com/826/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/preparandonatal.wordpress.com/826/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/preparandonatal.wordpress.com/826/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/preparandonatal.wordpress.com/826/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/preparandonatal.wordpress.com/826/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/preparandonatal.wordpress.com/826/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/preparandonatal.wordpress.com/826/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/preparandonatal.wordpress.com/826/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/preparandonatal.wordpress.com/826/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=826&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>A caixinha de beijos</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 15:22:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pnatal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Paz]]></category>
		<category><![CDATA[Ternura]]></category>

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		<description><![CDATA[A caixinha de beijos Há algum tempo atrás, um homem castigou a sua filhinha de três anos por desperdiçar um rolo de papel de presente dourado. O dinheiro era pouco naqueles dias, razão pela qual o homem ficou furioso ao ver a menina a embrulhar uma caixinha com aquele papel dourado e a colocá-la debaixo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=820&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;">A caixinha de beijos</h3>
<p style="text-align:justify;">Há algum tempo atrás, um homem castigou a sua filhinha de três anos por desperdiçar um rolo de papel de presente dourado.<br />
O dinheiro era pouco naqueles dias, razão pela qual o homem ficou furioso ao ver a menina a embrulhar uma caixinha com aquele papel dourado e a colocá-la debaixo da árvore de Natal.</p>
<p style="text-align:justify;">Apesar de tudo, na manhã seguinte, a menina levou o presente ao seu pai e disse: “Isto é para ti, Papá!”</p>
<p style="text-align:justify;">Ele sentiu-se envergonhado da sua reacção furiosa, <span id="more-820"></span>mas voltou a “explodir” quando viu que a caixa estava vazia.</p>
<p style="text-align:justify;">Gritou e disse: “Tu não sabes que, quando se dá um presente a alguém, se coloca alguma coisa dentro da caixa?”</p>
<p style="text-align:justify;">A menina olhou para cima, com lágrimas nos olhos, e disse: “Oh, Papá, não está vazia. Eu soprei beijos para dentro da caixa. Todos para ti, Papá.”</p>
<p style="text-align:justify;">O pai quase morreu de vergonha, abraçou a menina e suplicou-lhe que lhe perdoasse.</p>
<p style="text-align:justify;">Dizem que o homem guardou a caixa dourada ao lado da sua cama por anos e, sempre que se sentia triste, mal humorado, deprimido, pegava na caixa e tirava um beijo imaginário, recordando o amor que a sua filha ali tinha colocado.</p>
<p style="text-align:justify;">De uma forma simples, mas sensível, cada um de nós tem recebido uma caixinha dourada, cheia de amor incondicional e de beijos dos nossos pais, filhos, irmãos e amigos…</p>
<p style="text-align:justify;">Ninguém possui uma coisa mais bonita do que esta.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/preparandonatal.wordpress.com/820/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/preparandonatal.wordpress.com/820/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/preparandonatal.wordpress.com/820/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/preparandonatal.wordpress.com/820/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/preparandonatal.wordpress.com/820/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/preparandonatal.wordpress.com/820/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/preparandonatal.wordpress.com/820/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/preparandonatal.wordpress.com/820/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/preparandonatal.wordpress.com/820/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/preparandonatal.wordpress.com/820/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/preparandonatal.wordpress.com/820/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/preparandonatal.wordpress.com/820/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/preparandonatal.wordpress.com/820/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/preparandonatal.wordpress.com/820/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=820&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>A estrela de prata &#8211; A. Torrado</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 22:20:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pnatal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Advento]]></category>
		<category><![CDATA[Árvore de Natal]]></category>

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		<description><![CDATA[A estrela de prata Numa árvore que eu cá sei – que nós sabemos – estão uma estrela de prata e uma bola de cristal. — O que fazemos aqui? — perguntou a estrela. — Estamos a enfeitar — respondeu a bola. — O que é enfeitar? — perguntou a estrela. — É fazer vista, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=816&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;">A estrela de prata</h3>
<p style="text-align:justify;">Numa árvore que eu cá sei – que nós sabemos – estão uma estrela de prata e uma bola de cristal.<br />
— O que fazemos aqui? — perguntou a estrela.<br />
— Estamos a enfeitar — respondeu a bola.<br />
— O que é enfeitar? — perguntou a estrela.<span id="more-816"></span><br />
— É fazer vista, ornamentar, alindar&#8230; — respondeu a bola de cristal.<br />
Passou-se um tempo e a estrela perguntou de novo:<br />
— Porque estamos a enfeitar?<br />
— Porque esta árvore não é como as outras. Os frutos dela são raros. Aparecem um dia, luzem o seu quê, conforme sabem ou podem, e depois são colhidos e guardados, até para o ano.<br />
A bola de cristal tinha muita experiência de outros Natais, ao passo que a estrela era nova, de prata fresca, e não sabia quase nada. Mas tinha ouvido falar que havia estrelas cadentes, estrelas que caem do céu e no céu desaparecem, num sopro de luz.<br />
— Não serei uma dessas? — perguntou à bola.<br />
— Talvez sejas, talvez não sejas&#8230; Mas não experimentes.<br />
Passou-se um tempo mais, e a estrela guardou para si aquela ideia, uma ideia pequenina. &#8220;Não experimentes&#8221;, dissera-lhe a bola. E se experimentasse? Foi o que fez.<br />
Caiu, num susto, mas como era leve, inocente e frágil, uma corrente de ar, vinda de uma porta aberta, algures, levou-a consigo.<br />
Levou-a consigo e fê-la poisar, sem estrago, no fofo musgo.<br />
— Olha, é a estrela da gruta — disse alguém que estava a armar o presépio.<br />
E estrela do presépio ficou.<br />
Donde estava, onde a puseram, via o presépio, os pastores, os reis magos, as lavadeiras com a trouxa à cabeça, as leiteiras com a bilha à cinta, os vagabundos, o moleiro, o azeiteiro e todo o povo do presépio e mais as pessoas de carne e osso, que vinham admirar aquela lindeza, sorrir para o Menino Jesus e olhar para a estrela, suspensa do alto da gruta.<br />
Estrela de oito pontas que era, a apontar em todas as direcções, nem ela sabia para onde, brilhou imenso.<br />
Brilhou o mais que pôde.<br />
Para o ano, a estrela de prata já tem muito que contar à bola de cristal.</p>
<p style="text-align:right;">António Torrado</p>
<p style="text-align:right;">www.historiadodia.pt<br />
Adaptação</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/preparandonatal.wordpress.com/816/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/preparandonatal.wordpress.com/816/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/preparandonatal.wordpress.com/816/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/preparandonatal.wordpress.com/816/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/preparandonatal.wordpress.com/816/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/preparandonatal.wordpress.com/816/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/preparandonatal.wordpress.com/816/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/preparandonatal.wordpress.com/816/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/preparandonatal.wordpress.com/816/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/preparandonatal.wordpress.com/816/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/preparandonatal.wordpress.com/816/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/preparandonatal.wordpress.com/816/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/preparandonatal.wordpress.com/816/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/preparandonatal.wordpress.com/816/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=816&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um simples cartão de Natal</title>
		<link>http://preparandonatal.wordpress.com/2009/11/16/814/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 20:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pnatal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Natal]]></category>

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		<description><![CDATA[Um simples cartão de Natal  Parece totalmente filantrópico, mas, na realidade, o nosso pedido baseou-se tanto no altruísmo como na conservação da própria vida. Paul Knowles  Maxime e eu estamos casados há apenas cinco anos. Casar na nossa idade (já muito para lá dos 40 anos) é o oposto de o fazer no princípio da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=814&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong>Um simples cartão de Natal</strong></p>
<p> <em>Parece totalmente filantrópico, mas, na realidade, o nosso pedido baseou-se tanto no altruísmo como na conservação da própria vida.</em></p>
<p style="text-align:right;">Paul Knowles</p>
<p style="text-align:justify;"> Maxime e eu estamos casados há apenas cinco anos. Casar na nossa idade (já muito para lá dos 40 anos) é o oposto de o fazer no princípio da idade adulta. Nessa altura, a questão que se coloca é: «Será que nos vão oferecer as coisas de que necessitamos?» Agora, e em vez disso, é: Como é que nos vamos ver livres de metade das coisas que temos?» Estamos naquela fase feliz da vida em que não necessitamos de nada. Isto torna as coisas um pouco difíceis para os que querem dar-nos prendas.</p>
<p style="text-align:justify;">Essa dificuldade estende-se aos nossos oito filhos, dois dos quais ainda não saíram de casa. Dos que saíram, todos têm casa e companhia (uma dessas combinações já produziu o nosso primeiro neto); alguns só agora começaram a aventura da independência. Para estes jovens, cujas idades vão dos 13 aos 27 anos, um dólar ganho é um dólar para ser investido na vida.</p>
<p style="text-align:justify;">É assim que, a caminho do Natal de 2002, Max aparece com uma óptima ideia. Dissemos aos nossos filhos que tudo o que queríamos para o Natal era um cartão.</p>
<p style="text-align:justify;">— Só um cartão? — respondiam, insatisfeitos.</p>
<p style="text-align:justify;">— Não — continuámos. — Queremos um cartão em que nos digam<span id="more-814"></span> o que é que fizeram pela vossa comunidade. Qualquer trabalho de voluntariado que tenham feito em favor de alguém do vosso bairro. Tendo em conta o sentido lato de &#8220;bairro&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Não ficaram muito convencidos com isto, mas, na manhã de Natal, a maioria deles reuniu-se na saleta para trocar prendas entre si. Depois, um a um, os cartões foram aparecendo.</p>
<p style="text-align:justify;">Um deles dizia: <em>Neste Natal, enviei uma caixa de sapatos cheia de brinquedos e outras coisas essenciais a uma menina da Guatemala. Comprei livros, marcadores, lápis, papel, produtos para a higiene dentária, champô, bonecas, plasticina, etc. Senti-me muito bem por dar estas coisas a uma pessoa que deve ter ficado agradecida e feliz&#8230; Embora tivesse sido para uma criança que nunca conheci, senti que fiz uma coisa muito importante.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Outro cartão dizia simplesmente: <em>Como prenda para vocês, colaborei no leilão da igreja e vou ajudar na missa, na véspera de Natal.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Uma das nossas filhas deu-nos como presente ter-se oferecido como voluntária para a Associação dos Direitos dos Não-Fumadores, uma causa que ela acha que é importante. Outro participou no coro da Catedral de S. Jorge, em Kingston – uma actividade extracurricular pouco vulgar para um estudante do 2º ano da universidade. O nosso mais novo entregou-nos um cartão onde dizia que a sua prenda era fazer trabalho voluntário nas Olimpíadas Especiais: todas as semanas dava assistência, tanto na natação como no <em>bowling</em>, aqui na nossa comunidade. O mais velho, juntamente com a mulher, escreveu: <em>Em Outubro, enviámos um correio electrónico a todos os nossos amigos e familiares dizendo-lhes que este ano, para a vossa prenda de Natal, estávamos a angariar dinheiro para comprar prendas para a árvore de Natal do Exército de Salvação. Em resposta ao nosso pedido, obtivemos 385 euros, e com esse dinheiro comprámos presentes para 18 crianças. Como os recém-nascidos e as crianças com mais de 10 anos são normalmente os mais esquecidos, propusemo-nos comprar prendas para bebés e para os miúdos mais velhos. Depois, enviámos um correio electrónico a todas as pessoas que contribuíram e, em anexo, uma fotografia digital com todas as prendas que comprámos.</em></p>
<p style="text-align:justify;">A sugestão da minha mulher foi, literalmente, muito importante para dezenas de vidas, sem falar das vidas dos nossos próprios filhos, que perceberam, em primeira mão, que é preciso muito pouco esforço para se conseguir um impacto a valer.</p>
<p style="text-align:justify;">As velas e os doces dos Natais anteriores há muito tempo que desapareceram. Ou porque foram consumidos ou arrumados sabe-se lá onde. Mas os presentes deste Natal estão numa caixa especial para ser apreciados vezes sem conta. E este ano sabe exactamente o que vamos pedir outra vez aos nossos filhos para o Natal.</p>
<p style="text-align:justify;">Preparem-se, aí vão eles!<br />
<em>Selecções do Reader’s Digest</em><br />
Lisboa, Dezembro de 2004</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/preparandonatal.wordpress.com/814/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/preparandonatal.wordpress.com/814/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/preparandonatal.wordpress.com/814/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/preparandonatal.wordpress.com/814/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/preparandonatal.wordpress.com/814/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/preparandonatal.wordpress.com/814/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/preparandonatal.wordpress.com/814/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/preparandonatal.wordpress.com/814/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/preparandonatal.wordpress.com/814/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/preparandonatal.wordpress.com/814/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/preparandonatal.wordpress.com/814/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/preparandonatal.wordpress.com/814/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/preparandonatal.wordpress.com/814/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/preparandonatal.wordpress.com/814/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=814&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Renascimento</title>
		<link>http://preparandonatal.wordpress.com/2009/11/15/renascimento/</link>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 22:48:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pnatal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Advento]]></category>

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		<description><![CDATA[Renascimento Tinha estado um dia medonho de Inverno e a noite não parecia que fosse ser melhor. Os meus medos confirmaram-se quando, ao sair do trabalho, desabou uma chuva furiosa, como se à última hora quisesse vingar-se ainda de alguma coisa. Durante a tarde ainda conseguira secar a roupa molhada à hora do almoço mas, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=preparandonatal.wordpress.com&amp;blog=1656133&amp;post=810&amp;subd=preparandonatal&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong>Renascimento</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Tinha estado um dia medonho de Inverno e a noite não parecia que fosse ser melhor. Os meus medos confirmaram-se quando, ao sair do trabalho, desabou uma chuva furiosa, como se à última hora quisesse vingar-se ainda de alguma coisa.</p>
<p style="text-align:justify;">Durante a tarde ainda conseguira secar a roupa molhada à hora do almoço mas, invariavelmente, os sapatos teimavam em não secar. Apesar de ter trocado de meias — já não era a primeira vez que isto me acontecia — a chuva ameaçava voltar a penetrar nos sapatos. E já sentia as pontas dos dedos começarem a gelar.</p>
<p style="text-align:justify;">Claro que, se não fosse o Natal, as encomendas que quadruplicam, os “faxes” do estrangeiro, os <em>emails</em> que precisam de resposta urgente, o trabalho que tem de ficar pronto dê por onde der, isto não teria acontecido.</p>
<p style="text-align:justify;">Isto o quê?<span id="more-810"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Tudo: não teria apanhado com o aguaceiro, não teria apanhado com a água que o condutor daquele carro, tão apressado em ir para casa, me atirou para cima, não estaria encharcada e sozinha àquelas horas da noite, à espera de um autocarro que teimava em não chegar.</p>
<p style="text-align:justify;">É incrível a quantidade de coisas de que me lembro em momentos destes, ainda para mais agora, que estamos no Advento.</p>
<p style="text-align:justify;">Lembrei-me de quando era pequena e acompanhava a minha mãe nas muitas voltas que ela tinha a dar pela cidade. Por incrível que pareça, quanto mais frio e chuva e nevoeiro houvesse, mais eu gostava daquele passeio. Não sei se ela barafustava contra o tempo; é provável, se bem que raramente a tenha ouvido. Eram as luzes das ruas e das montras iluminadas, os pinheiros enfeitados, as caixas embrulhadas que faziam de prendas — e eu, tão ingénua, nem suspeitava que as caixas estavam vazias!</p>
<p style="text-align:justify;">E o cheiro.</p>
<p style="text-align:justify;">O cheiro de Natal é um cheiro muito especial. Acho que aquela mistura de canela com cravinho tem, antes de tudo, a função de aquecer o espírito. Quando chegávamos a casa, a minha mãe gostava de fazer um chá de especiarias. Às vezes eu bebia, outras vezes deitava-as no leite.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas porque me lembrei da minha mãe e das nossas andanças pela cidade durante o Inverno? O que tem isso a ver com os meus sapatos encharcados?</p>
<p style="text-align:justify;">Era a minha mãe que me calçava as botas. Não sei bem que botas eram. Lembro-me sempre, e nunca hei-de esquecer-me de, apertados os cordões ou corrido o fecho ou enfiado o pé, da palmadinha carinhosa que me dava sempre no final:</p>
<p style="text-align:justify;">— Pronto, aqui não entra água.</p>
<p style="text-align:justify;">Não sei se entrava, nem se não. Para mim, era como se aquela palmada vedasse toda a água e todo o mal que dali pudesse vir. Podia passar por todas as poças de água da cidade, que nunca as minhas meias se molhavam. Provavelmente, usava botas de borracha, daquelas com uma cara de sapo e uns olhos em relevo. É o mais certo.</p>
<p style="text-align:justify;">Já muito mais velha, ainda inventava mil e uma desculpas para que fosse ela a apertar-me os sapatos ou o casaco. Precisava daquela protecção, da certeza de que  havia alguém que zelava por mim, que estendia a mão por cima da minha cabeça.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando morreu, senti que ia deixar de estar protegida. Senti-me órfã, embora a família até fosse grande. Senti-me desamparada. E tentava colmatar esse vazio no grupo de amigos, nas saídas semanais, nos vícios e dependências. Até hoje continuava a vaguear pelas minhas memórias, perdia-me e acabava por adormecer nelas sem encontrar a saída. O Advento e o Natal significavam uma tristeza e solidão da qual eu não conseguia sair.</p>
<p style="text-align:justify;">Terá mesmo de ser assim? Não haverá uma forma de ultrapassar estes sentimentos?</p>
<p style="text-align:justify;">A colega com quem partilho o gabinete levou hoje uma coroa do advento, oferta de um amigo que foi de viagem não sei onde.</p>
<p style="text-align:justify;">— Importas-te que a acenda aqui?</p>
<p style="text-align:justify;">Não, não me importava.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela acendeu a primeira vela. Passados uns minutos tinha-se espalhado pelo ar um cheiro a Natal, AQUELE cheiro a Natal. Fixei a vela. Não sei o que se passou naquele momento, mas foi como se aquela luz, aquele cheiro, tivessem sarado todas as minhas angústias e tristezas e iluminado o começo de um caminho. Nem sei se vi ou se senti.</p>
<p style="text-align:justify;">— Desculpe, posso sentar-me?</p>
<p style="text-align:justify;">Assustei-me. Ao meu lado estava um homem de aspecto simpático que eu não dera por chegar. E sorria.</p>
<p style="text-align:justify;">— Claro… sim, claro!</p>
<p style="text-align:justify;">E a água já a ameaçar as meias…</p>
<p style="text-align:justify;">— Está cá um tempo!</p>
<p style="text-align:justify;">E fixou os meus sapatos.</p>
<p style="text-align:justify;">— Não me leve a mal… mas parece que tem os pés molhados.</p>
<p style="text-align:justify;">— Sim, foi o aguaceiro.</p>
<p style="text-align:justify;">— Não quero incomodá-la mas tenho aqui umas botas, as últimas desta colecção, que não consigo vender. Ou é a cor, ou o feitio, ou o número, enfim… Já desisti e resolvi levá-las para casa. Pode ser que encontre alguém a quem sirvam. Pelos vistos, não querem é ser vendidas, só dadas!</p>
<p style="text-align:justify;">E riu-se. Um riso alegre, claro, saudável.</p>
<p style="text-align:justify;">— Quer experimentá-las? É trocar uma semana de gripe por um par de botas. Se ainda quiser pensar na oferta…</p>
<p style="text-align:justify;">Ri-me. Claro que aceitei as botas.</p>
<p style="text-align:justify;">Calcei-as – já tinha uma gota de água em cada meia – e ajustei o pé. Eram o meu número!</p>
<p style="text-align:justify;">— Pronto, aí já não entra água.</p>
<p style="text-align:justify;">O que é que ele disse?</p>
<p style="text-align:justify;">— Sabe que rebentou um cano mais acima e o autocarro teve de dar uma volta mais longa. Vai demorar mais tempo a vir — disse enquanto tirava qualquer coisa da mala de couro. Uma caneca térmica? — Antes de fechar a sapataria fiz um chá. É de especiarias, não sei se gosta. Aceita um copo?</p>
<p style="text-align:justify;">E já me estendia um na minha direcção.</p>
<p style="text-align:justify;">Agradeci e agarrei-o com as duas mãos. Fumegava e tudo! Ao inspirar, qualquer coisa estalou dentro de mim. Vi a vela da escritório, o cheiro, as botas, a minha mãe, a luz, e uma criança deitada, a sorrir, estendendo os braços na minha direcção, e senti uma alegria imensa. Tive a certeza de que não estava só, nem órfã, nem desamparada.</p>
<p style="text-align:justify;">— Muito obrigada por tudo! — disse ao meu companheiro. Mas ele já lá não estava.</p>
<p style="text-align:justify;">Só estava eu a apertar um copo nas mãos como se fosse um cálice sagrado.</p>
<p style="text-align:justify;">— A menina entra ou vai esperar pelo próximo autocarro? Olhe que o próximo é só às seis da manhã!</p>
<p style="text-align:justify;">E o motorista sorria.</p>
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